Venezuela quer emplacar criptomoeda Petro no mercado global

Nicolás Maduro, ditador venezuelano (Foto: Agência Brasil/Wikimedia)

O ditador venezuelano Nicolás Maduro disse que a criptomoeda nacional Petro será adotada internacionalmente a partir de 1º de outubro. Ele crê que o token criado pelo Estado vai ajudar a resolver a inflação crônica do país e a estabilizar a economia.

O anúncio de Maduro foi feito no Palácio de Miraflores, sede da Presidência da Venezuela, localizado em Caracas, de acordo com um relatório publicado no site VTV.

“O Petro seguirá seu caminho como moeda de troca internacional para compras e conversões”, disse o ditador.

Ainda não está claro quais setores exatos das empresas de comércio global do país usarão a Petro, que foi lançada oficialmente em fevereiro.

Maduro acrescentou que a introdução da Petro no comércio internacional é parte do projeto de desenvolvimento do país que é o ‘programa de recuperação, crescimento econômico e prosperidade’.

Recentemente a Reuters lançou mais luz a respeito da não-adoção da criptomoeda venezuelana, revelando a Petro como uma farsa, visto que o token é ‘lastreado’ em 5 milhões de barris de petróleo, mas não se tem sequer uma placa do local indicado da exploração.

Atapirire, que tem 1300 habitantes e fica em uma savana isolada em Francisco de Miranda, no centro do país, foi indicada por Maduro como sendo a área dos 5 milhões de barris, no entanto, a reportagem da Reuters encontrou apenas máquinas antigas abandonadas no meio do mato.

A Petro foi anunciada pela primeira vez no início de dezembro de 2017 por Nicolás Maduro como uma forma de contornar as sanções dos EUA, em meio a uma crise econômica e hiperinflação da antiga moeda oficial, o Bolívar.

Na ocasião, Maduro disse que a criação da criptomoeda era para que o país avançasse em matéria de soberania monetária, realizasse transações financeiras e, assim, vencer o bloqueio americano.

Maduro ordenou, então, que as empresas estatais usassem a criptomoeda para compra e venda de produtos e serviços — elas deviam realizar uma porcentagem de suas vendas e compras em Petro.

Recentemente o governo mudou o Bolívar para o Bolívar Soberano, que agora é a moeda oficial venezuelana, e cortou cinco zeros na conversão. Maduro, em seu anúncio, disse que as alterações mudarão as finanças do país “de forma radical”.

Confira história completa da criptomoeda venezuelana: 

3 de dezembro de 2017

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou em televisão o projeto de criação da Petro, a primeira criptomoeda estatal da história, com respaldo nas reservas de diamante, petróleo, ouro e gás do país. A ideia surgiu de Hugbel Roa, ministro de Educação Universitária, Ciência e Tecnologia.

Maduro revelou a novidade como a solução para as transações no país, o controle e financeiro e a superação de sanções econômicas.

16 de dezembro de 2017

Maduro encomendou ao ministro do petróleo Manuel Quevedo a coordenação do time responsável pela Petro.

O governo venezuelano também criou o Observatório Nacional do Blockchain – responsável por supervisionar as operações da moeda digital de base institucional, política e jurídica – e a Superintendência das Criptomoedas, que deverá lidar diretamente com as transações.

1º de janeiro de 2018

Maduro publica um decreto de 13 itens detalhando a organização financeira da Petro.

Ficou decidido que a criptomoeda seria baseada em 5 bilhões de barris de petróleo provenientes do campo petrolífero Ayacucho, nº 1 na Faixa Petrolífera Orinoco, junto a parcelas de outras reservas minerais da região. Assim, segundo o comunicado, cada unidade da Petro deve ter seu barril de petróleo correspondente.

20 de fevereiro de 2018

A vice-presidência da ditadura chavista anunciou o lançamento e pré-venda da Petro. O comunicado dizia que seriam disponibilizados, inicialmente, 82,4 milhões de unidados do token.

A equipe responsável pela criptomoedas também disse que disponibilizaria um manual em diversas línguas para esclarecer o procedimento de aquisição da criptomoeda. O texto dizia que seriam aceitas moedas digitais e fiduciárias, mas, curiosamente, o bolívar não poderia ser usado para a compra de Petro.

3 de março de 2018

Em sua conta oficial no Twitter, Maduro anunciou que após uma semana, o projeto de criação da Petro havia arrecadado US$ 3 bilhões com 171.015 por meio de compras certificadas de investidores em 127 países. A maioria das encomendas estavam em dólares (40,8%), seguido de Bitcoin (33,8%), Ether (18,4%) e euro (6,5%). Além disso, 3523 dessas ofertas foram feitas por empresas.

Os dados, porém, foram contestados. Os governos da Polônia e Rússia, citados como envolvidos nos investimentos, negaram ter interesse na criptomoeda.

8 de março de 2018

A oposição ao regime socialista no Congresso classificou a Petro como “ilegal” e uma “fraude”. Os deputados criticaram a venda do token da criptomoeda, que, à época, já teria arrecadado US$ 735 milhões. Também condenaram a demanda forçada pela criptomoeda, já que Nicolás Maduro planejava obrigar que negócios e até benefícios fossem pagos com a moeda virtual.

19 de março de 2018

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva impondo sanções econômicas à Venezuela referentes ao criptoativo estatal. O documento proíbe qualquer tipo de transação relacionada a criptomoedas criadas pelo governo venezuelano nos EUA.

14 de maio de 2018

As críticas da comunidade internacional ao token começam a se intensificar. Apesar disso, o banco Evrofinance Mosnarbank, com sede em Moscou, torna-se a única instituição financeira do mundo a desafiar as sanções impostas pelos Estados Unidos.

A Associação Russa de Blockchain e Criptomoedas elogiou a Petro como um “desafio aos poderes do sistema financeiro internacional”.

Donald Trump ameaçou os países-membros da OPEP com mais sanções, caso fizessem negociações relacionadas à criptomoeda.

25 de julho de 2018

Maduro anuncia a criação do bolívar soberano, moeda emitida pelo governo que viria a substituir o bolívar dentro de um mês. O novo meio de troca corta cinco zeros da moeda anterior. Durante o pronunciamento, o ditador disse que o meio de troca estaria “ancorado” à Petro.

Ele também requisitou aos bancos com sede no país que minerassem e fizessem parte das transações em Petro. Diversas empresas sob propriedade do estado tiveram que trocar uma porcentagem de suas vendas e compras pela criptomoeda.

14 de agosto de 2018

A Petro é elevada ao status de moeda oficial da Venezuela. Com isso, o token passa a ser, depois do bolívar soberano, o segundo meio de pagamento do país e também o meio de troca exclusivo para taxas de conversão de moedas internacionais.

Um dia antes, Nicolás Maduro explicou que o “Banco Central vai começar a publicar os números oficiais sobre o valor do bolívar Soberano de acordo com a Petro e o valor da Petro de acordo com moedas internacionais.”

30 de agosto de 2018

Moradores da remota cidade de Atapirire, na área de apenas 1300 moradores, relataram em reportagem do New York Times que não têm visto sinal de exploração de petróleo na região.

O petróleo na área seria o destinado para valer como lastro para a Petro, mas, até o momento, ele segue sendo inexplorado.

A criptomoeda é difícil de ser encontrada em todas as partes do país, apesar do governo ter declarado que já arrecadou US$ com sua criação. A reportagem visitou diversas regiões em busca de estabelecimentos e casas de câmbio que aceitassem Petro em suas transações, sem sucesso.

 


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