Site da Unick Forex sai do ar após bloqueios da Polícia Federal e prisão de sócios

Com problemas nos pagamentos, Unick Forex anuncia lançamento de banco

Quase um mês após a megaoperação da Polícia Federal contra a Unick Forex, o escritório virtual da empresa, espaço dedicado a consulta dos investimentos dos clientes, saiu do ar.

Em nota, a empresa justificou a queda do site “em razão do bloqueio de recursos e do banco de dados da empresa, estabelecido pela Justiça em 17 de outubro.”

O site oficial (unick.academy) continua online, mas com poucas informações. A seção de suporte aos clientes também não funciona mais, apesar de continuar online.

O Escritório Virtual é a única parte fora do ar, deixando os investidores impossibilitados de acessarem suas contas e consultarem seus respectivos saldos.

Sócios presos

Em 17 de outubro, a Polícia Federal cumpriu a Operação Lamanai, focada em desmantelar o esquema da Unick Forex, com sede em São Leopoldo, Rio Grande do Sul. A Unick operava um esquema de pirâmide financeira que lesou milhares de pessoas.

A PF cumpriu 10 mandados de prisão e 65 ordens de busca e apreensão. Dos mandados, apenas Fernando Lusvarghi, responsável pelo jurídico, continua foragido.

No final de outubro, a Justiça Federal determinou a prisão preventiva de seis sócios da empresa. Até então eles estavam em prisão temporária. Os principais nomes da empresa Danter Silva e Leidimar Lopes seguem presos.

Conforme a apuração da polícia, a Unick tinha cerca de um milhão de clientes pulverizados pelo Brasil inteiro. O valor levantado pela empresa foi entre R$ 2,4 bilhões e R$ 9 bilhões.

A operação conseguiu bloquear em conta-corrente a quantia de R$ 200 milhões. Os agentes federais também encontraram até agora R$ 53 milhões em criptomoedas em nome da empresa. Além disso, 48 carros de luxo, totalizando um montante de R$ 6 milhões conforme a tabela FIPE, também constam no balanço.

Triste fim

Antes da megaoperação, a Unick já estava há quatro meses atrasando saques de clientes. A situação foi se agravando com o passar das semanas.

Apenas em São Paulo, segundo levantamento do Portal do Bitcoin, a Unick Forex já soma 129 processos que, juntos, totalizam o montante de R$ 4.669.461,42.

Retrospectiva da Unick Forex

A Unick Forex dizia operar no mercado Forex e de Criptomoedas. Através de suas operações, a empresa prometia retornos de até 1,5% ao dia.

Em março de 2018, a empresa sofreu a primeira retaliação por parte da CVM, que a proibiu de ofertar investimentos no Brasil. A empresa continuou a operar normalmente mas, em 2019, tentou mudar o foco do esquema para despistar as autoridades.

Com a troca de nome de Unick Forex para Unick Academy, a empresa começou a focar numa espécie de venda de pacotes educativos, que não passava de fachada para que o esquema de pirâmide financeira continuasse.

Os investidores, por sua vez, começaram a ter problemas em junho deste ano, quando os saques começaram a atrasar. Com novas desculpas a cada semana e informações desencontradas, a Unick tentava ganhar tempo e enrolar os clientes.

Nos meses seguintes, a empresa acumulou milhares de reclamações no Reclame aqui além de dezenas de processos por todo o Brasil.

Para amenizar os problemas, a Unick contratou o escritório Nelson Wilians & Advogados Associados para propor acordo com os clientes. O acordo, no entanto, propõe restituição de apenas 20% do investido.

Os responsáveis pela empresa, Leidimar Lopes e Danter Silva, já são velhos conhecidos no mercado brasileiro. Leidimar foi fundador da Phoner, uma outra pirâmide financeira que deixou milhares de investidores na mão. Danter também teve um passado similar, onde consta como réu em um processo acusado de captar clientes para um golpe ponzi chamado D9.

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