Quem é o verdadeiro líder da Unick descoberto pela Polícia Federal

STJ barra pedido de liberdade de advogado apontado pela polícia como chefe da Unick Forex
Fernando Baum Salomon (Foto: Reprodução/Facebook)

Interceptações telefônicas de líderes da Unick Forex realizadas pela Polícia Federal (PF) revelaram que havia mais um suposto líder na empresa, o advogado Fernando Baum Salomon. A Unick é responsável por aplicar um dos maiores golpes de pirâmide financeira no Brasil.

Segundo reportagem do Jornal NH, Salomon seria um “chefe oculto no esquema”. Ele teria contratado um serviço de espionagem clandestina, com hacker e tudo, para obter informações sigilosas e que interessasse à Unick.

O serviço de arapongagem, como cita a matéria, teria sido comandado por um ex-policial federal aposentado, ligado a ex-diretores da PF.

De acordo com o NH, o advogado, que prestava uma espécie de gestão internacional para a Unick, se viu preocupado logo após a ação da polícia contra a Indeal — em maio deste ano, quando a Operação Egypt desmantelou a pirâmide financeira.

O ex-agente da PF contratado por Salomon chegou a mencionar contatos com autoridades do alto escalão da República, conforme escutas telefônicas com os diretores da Unick.

No inquérito também aparece o nome do ex-diretor geral da PF, Leandro Daiello Coimbra, aposentado há dois anos, e que supostamente seria o contato do ‘investigador’.

Ocultação de bens da Unick

Segundo a PF, a preocupação de Salomon era uma só: se havia inquérito contra ele e o presidente da Unick, Leidimar Lopes.

Diante disso, e com informações sigilosas em mãos, a Unick provavelmente conseguiu ocultar bens — na ocasião da Operação Lamanai, a polícia teria apreendido apenas pouco mais de R$ 200 milhões.

O valor chega a ser ínfimo diante dos R$ 28 bilhões supostamente movimentados pela organização criminosa.

A PF acredita que boa parte do patrimônio da Unick está ocultado em paraísos fiscais na Europa, como Mônaco e Luxemburgo, sendo o suspeito pela lavagem o advogado.

O delegado Aldronei Rodrigues, que lidera as investigações no caso Unick, percebeu então a grandeza da participação do advogado no esquema.

Ele acredita que o advogado obteve informações sigilosas por meio do agente, pois ele evitava diálogos que envolvessem fraudes.

Salomon e o ex-policial negam

Ao NH, a defesa de Fernando Salomon disse que ele não exercia função de gestor na Unick e que ele foi apenas contratado pelo Leidimar, em 2018, para “trabalhar na regularização da Unick junto à CVM.”

A defesa também nega que Salomon tenha participação na contratação do policial federal inativo para a Unick, alegando que eles são amigos de muitos anos e que houve apenas a contratação da empresa de inteligência para localizar o patrimônio de um cliente que não pagou honorários advocatícios.

Também questionado pela reportagem do NH, o ex-diretor geral da PF Leandro Daiello Coimbra disse nunca ter trabalhado para a Unick. Sobre ter trabalhado para Salomon, Coimbra disse não ter nada a declarar.

Ameaças dentro da Unick

De acordo com a reportagem, o ex-policial que comandava as investigações clandestinas e sua equipe também tinha outra função. Eles ficaram responsáveis de sanar problemas internos na Unick, como o desvio de dinheiro pelos próprios líderes.

Conforme a matéria, um líder de hierarquia ‘diamante’ estaria pagando os investidores da rede conforme sua vontade e supostamente desviava dinheiro para a sua conta — ou seja, mantinha uma pirâmide dentro da pirâmide.

A ideia, diz o artigo, seria fazer ameaças intimidadoras a ponto de chegar a agressões físicas. Um diretor inclusive teria instruído a equipe a dar um ‘aperto’ no tal diamante, mas que não o matasse.

Diante de desentendimentos internos e desconfiança, a equipe de arapongagem também foi instruída de acompanhar os passos de Leidimar Lopes e Danter Silva, atualmente presos.

Processos contra a Unick

A Unick Forex já responde a mais de uma centena de ações na Justiça. Em São Paulo, os processos ultrapassam R$ 4 milhões, conforme levantamento do Portal do Bitcoin feito com dados do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) no mês passado.

O aumento nos processos deu-se após a prisão dos diretores da empresa. Parte dessas ações também traz a Urpay com ré. A empresa era uma das responsáveis pelo pagamento dos clientes da Unick.


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