Prazo de saques da Atlas Quantum chega a 30 dias e clientes relatam perdas com queda do bitcoin

Foto: Shutterstock

*Atualização: após a publicação da reportagem foi enviado o posicionamento da empresa.

O prazo de saques para quem tem mais de um bitcoin na Atlas Quantum aumentou para 30 dias. A informação foi repassada para os consultores da empresa, que estão repassando aos clientes.

O Portal do Bitcoin conversou com um funcionário da Atlas, que pediu para não ser identificado mas confirmou a informação. Ele também disse que há clima ruim entre os funcionários que possuem bitcoin na plataforma e desejam sacar. “Nada foi dito, mas todo mundo sente o constrangimento no ar”, afirmou.

Além dele, três clientes, todos com mais de dois Bitcoins presos, receberam a mesma resposta — D+30 para receber o dinheiro de volta. Os três não quiseram se identificar.

“O pior é que o Bitcoin já caiu desde que eu pedi o saque. Perdi muito dinheiro”, disse uma das pessoas.

Um dos prejudicados entrará com um processo na sexta-feira (30), com objetivo de tentar reaver as criptomoedas presas. Esta pessoa recebeu uma ligação de um celular de uma pessoa desconhecida que passou a informação da extensão do período dos saques. O número está registrado como sendo da empresa Atlas Proj Tecnologia Ltda. Outras pessoas relataram a mesma coisa.

A reportagem tentou o contato mas ninguém atendeu.

Desde a notificação da CVM, que impediu a Atlas de ofertar o seus sistema automatizado de arbitragem, houve uma corrida de saques na plataforma. O prazo normal era de apenas um dia. Em seguida, passou para quatro dias, o que foi confirmado pela empresa. Para compensar os prejudicados, um bônus de 25% foi acrescentado sobre cada dia.

No grupo de WhatsApp dos sócios da ABCB (Associação Brasileira de Criptomoedas e Bitcoin), o CEO da Atlas, Rodrigo Marques, disse que desconhecia casos de cliente em D+7 e que a empresa estava trabalhando para voltar com os saques em D+1. A frase foi dita na última terça-feira (27).

O que diz a Atlas Quantum

Minutos depois da publicação da reportagem, a empresa enviou uma nota no qual diz que os saque podem demorar até 30 dias, no máximo. A justificativa para o aumento do prazo é por conta de “questões técnicas das exchanges internacionais com as quais o Atlas opera”. Essas questões técnicas não foram detalhadas.

No blog da empresa — sem nenhuma chamada no site principal —, foi postado um comunicado no qual a Atlas afirma que os maiores atrasos até o momento são de sete dias, que representa 10% dos saques.  

O texto diz o seguinte: “algumas das exchanges internacionais em que operamos requisitaram o envio de documentos adicionais para verificar a identidade de nossas contas e confirmar as solicitações de retirada”.

Para e verificar e validar os documento, o período pode chegar até 30 dias. O que seria também o prazo máximo para a normalização dos saques. Não fica claro, porém, a partir de qual data é o começo da contagem dos 30 dias, uma vez que a corrida de saques começou no após o comunicado da CVM que data do dia 13 de agosto.

Tentando se acertar

Poucos dias após a notificação da CVM, a Atlas apresentou um relatório de auditoria pela empresa de contabilidade Grant Thornton. A auditoria é prometida desde 2018.

Também para tentar se adequar às normas da CVM, a empresa retirou menções ao robô Quantum do site e fechou cadastro para novos clientes, mantendo ativo somente a venda de bitcoins.

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