Por que um anúncio do ditador da Venezuela pode impulsionar o mercado de criptomoedas

Por que um anúncio do ditador da Venezuela pode mudar o mercado de criptomoedas
Foto: Shutterstock

Aprovação do ETF? Novo produto da Bakkt? Burn das moedas do Satoshi? Banco Central da Suíça acumulando criptomoedas? Nada disso. Como diz o velho ditado, o herói que precisamos nem sempre é o herói que desejamos.

Nicolas Maduro, ditador Venezuelano e sucessor direto de Hugo Chavez, anunciou na TV na segunda-feira (30) que seu governo irá lançar um sistema de pagamentos internacional utilizando criptomoedas, permitindo “qualquer um” realizar transações nacionais e internacionais através de seu Banco Central. A Bloomberg noticia que o país está construindo reservas internacionais lastreadas em criptoativos existentes, como Bitcoin e Ethereum.

Parece ser algo diferente do famigerado projeto da criptomoeda Petro lançada em fevereiro de 2018 e teoricamente lastreada em barris de petróleo, que jamais decolou. O objetivo desta vez parece ser criar um sistema de pagamentos em conjunto com demais países como Rússia e China, furando o bloqueio imposto pelos EUA. Maduro afirma que atualmente conseguem realizar transações internacionais desta forma.

Conhecendo este tipo de ditador, é óbvio que não vão permitir que seus cidadãos armazenem e transacionem criptomoedas efetivamente, ao menos as que conhecemos. O mais provável é que emitam algum tipo de stablecoin local teoricamente lastreada numa “cesta” de criptos. Como a moeda digital local terá curso forçado, ou seja, impostos cobrados e valores pagos pelo governo só serão realizados neste formato, pro cidadão comum não faz muita diferença se há algum tipo de auditoria ou transparência.

Obviamente no caso de transações internacionais o Banco Central da Venezuela terá que atuar como intermediário, trocando esta stablecoin local por BTCs e ETHs efetivamente a fim de realizar a remessa. Desta forma o governo continua com total controle do fluxo de entrada e saída além de ser a única entidade no país com o poder de armazenar criptos de forma oficial.

A verdade é que o detalhamento deste plano maquiavélico ainda não surgiu e apesar de parecer algo majoritariamente negativo, ao menos pra população local, para nós que acreditamos na soberania individual e transparência que só as criptos conseguem trazer, a notícia é excelente.

Trata-se do primeiro país com economia representativa que provavelmente vai adotar criptos como principal reserva internacional. Mesmo após tantos erros, a Venezuela possui um Produto Interno Bruto (PIB) na casa dos US$ 220 bilhões, ou seja, mesmo nível de Portugal, Vietnam e Nova Zelândia.

Pro cidadão Venezuelano nada muda. Trabalhavam com notas físicas de Bolívar Venezuelano que não tinham valor algum, especialmente fora do país, e agora vão ser obrigados a transacionar uma stablecoin mequetrefe que só pode ser convertida para ativos com valores reais por pessoas e empresas autorizadas pelo governo. Torço para que continuem minerando escondido e realizando trabalhos remunerados em criptoativos de verdade.

Sobre o autor

Marcel Pechman atuou como trader por 18 anos nos bancos UBS, Deutsche e Safra. Desde maio de 2017 faz arbitragem e trading de criptomoedas, além de ser cofundador do site de análise de criptos RadarBTC

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