Por que o Nubank ainda não pode ser considerado um banco no Brasil

Na prática, o próprio Nubank se descreve como 'uma empresa de tecnologia que oferece uma plataforma de serviços financeiros'

Nubank processa Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Caixa Econômica no Cade
(Foto: Shutterstock)

Nem todo “bank” é um banco de fato. O conceito se encaixa perfeitamente no caso do Nubank, maior fintech brasileira e um dos dos primeiros nomes que vêm à mente quando o assunto é banco digital.

Para seus clientes, pode ser até um detalhe de pouca importância. Mas embora seja visto como um banco digital, com produtos e serviços que competem com outras instituições financeiras, o Nubank formalmente não é um banco — pelo menos até o momento.

Considerada uma das 50 fintechs mais inovadoras do mundo, de acordo com a consultoria KPMG, o Nubank ainda é, formalmente, uma instituição de pagamentos.

Ele próprio se descreve como “uma empresa de tecnologia que oferece uma plataforma de serviços financeiros”.

“Efetivamente, não somos formalmente um banco. Temos licenças de operação como Instituição de Pagamentos e como Instituição Financeira”, informou a empresa por meio de sua assessoria de imprensa.

“Com isso, somos capazes de oferecer alguns dos principais serviços financeiros demandados pela maioria da população, como o cartão de crédito, uma conta digital que permite receber salários e depósitos, realizar transferências e investimentos, pagar boletos, efetuar compras no débito e saques, além de um serviço de empréstimos pessoal”, prossegue o Nubank.

Um desses serviços é NuConta, criada em 2017. De acordo com a regulamentação do Banco Central ela é, na verdade, uma conta de pagamentos.

O famoso cartão roxinho com função débito também não é tecnicamente um cartão de débito. Apesar da funcionalidade ser a mesma, o cartão somente poderia ser oferecido por um banco e atrelado a uma conta de depósito.

Nubank deseja ser banco?

O Nubank não aparece na lista de bancos disponível no portal do Banco Central. No entanto, figura entre os chamados “Conglomerados Financeiros”, como “Privado Nacional com Participação Estrangeira”.

Embora o Nubank, oficialmente, ainda não seja um banco, seus movimentos no mercado indicam que esse é um caminho que pode ser seguido pela fintech.

A expansão para países como México e Argentina e o acréscimo de produtos ao seu portfólio são considerados indícios desse direcionamento, ainda que não declarado publicamente.

Ao Portal do Bitcoin, o Nubank informou via assessoria que, na prática, não criou nenhum produto novo, mas ressignificou a maneira como os brasileiros lidam com o dinheiro. E que isso torna a fintech diferente de outras instituições financeiras.

“É esta vontade de gerar mudanças concretas e positivas no modo como as pessoas lidam com seu dinheiro que fará com que, independentemente da quantidade de novos produtos e soluções lançadas, o Nubank nunca ser torne um ‘banco tradicional'”.


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