“Estou de olho na InDeal”, diz delegado que fechou unidade da Unick Forex

William Garcez, delegado de Crissiumal (Foto: Facebook/reprodução)

O delegado responsável pela operação que fechou um escritório da Unick Forex na cidade Crissiumal, no Rio Grande do Sul, está acompanhando outra empresa suspeita de pirâmide: a InDeal.

O delegado da Polícia Civil, William Dal Bosco Garcez Alves, disse ao Portal do Bitcoin que eles não possuem escritório na cidade, mas que estão nos arredores.

“Eles não têm ponto comercial aqui na cidade, mas estão na estão na região. Eles estão aqui em nossa volta”.

Com a promessa de lucros de 15% a investidores interessados na aquisição de criptomoedas, a Indeal é outra empresa que está sendo investigada pelo Ministério Público Federal (MPF).

Garcez disse que entrou em contato nessa terça-feira com o procurador do MPF de Novo Hamburgo, Celso Tres, que está investigando empresas suspeitas de atuarem em esquemas de pirâmides financeiras com a utilização de criptomoedas.

O delegado, contudo, afirma que “não há investigação conjunta”, mas que sim, os dois passarão a compartilhar algumas informações com a finalidade de ajudar nas investigações.

“Ele estava promovendo uma investigação no Vale do Sinos e eu fiz essa investigação aqui. Mas agora o que a gente for apurando vai tentar, de certa forma, trocar informações. Estou sabendo até que ele tem outras investigações no estado sobre isso e até fora do Estado também”.

A conversa se deu pelo fato de a cidade ter sido palco da atuação da Unick Forex, mas depois dessa empresa pode haver outras sob a mesma suspeita como é o caso da InDeal.

O procurador da República, numa entrevista à Rádio Gaúcha, chegou a afirmar que há fortes indícios de se tratar de pirâmide como foi a Telexfree.

A investigação no MPF dessas empresas começou a partir de dados levantados pela Receita Federal, pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e alguns outros órgãos como já relatou Tres.

Ideal aberta, Unick fechada

Sobre a operação ocorrida na manhã de terça-feira (26), Garcez disse que o escritório que foi fechado era, de fato, utilizado por representantes da Unick Forex

O grupo usava uma sala alugada que ficava num centro comercial da Rua Guarita, localizada no centro da de Crissiumal — cidade com menos de 15 mil habitantes — como uma filial da empresa para captar investidores.

“Eu recebi a informação de que eles haviam aberto um escritório aqui há pelo menos um mês”, afirma Garcez.

O delegado disse que tanto a investigação que vinha sendo feita pelo Ministério Público Federal quanto o alerta da Comissão de Valores Mobiliários acabaram chamando a atenção para a atuação da Unick Forex.

“Eles não têm autorização para captar clientes no Brasil. Não sei se eles fazem mesmo esse tipo de investimento (com criptomoedas). Se essa empresa realmente lida com isso. O que se sabe é que os diretores não possuem nada no nome deles”, explica Garcez.

Após tomar conhecimento da presença da empresa em Crissiumal foram iniciadas as investigações até que, conforme foi noticiado no Jornal Novo Hamburgo, o delegado solicitou “um mandado de busca e apreensão, além de uma medida cautelar para o fechamento do local”.

Sem fazer juízo de valor se a Unick Forex é ou não uma empresa com esquema de pirâmide, o delegado explicou como funciona esse tipo de crime que ofende a economia popular:

“A pirâmide é exatamente isso. O esquema vai se sustentando assim, os que estão na base vão sustentando quem está no topo até entrar em colapso e não tiver mais dinheiro para pagar. Todos os esquemas de pirâmide funcionam dessa forma”.

Mandado cumprido

Numa nota enviada ao Jornal Sentinela, o delegado havia declarado que no ato de cumprimento do mandado de busca e apreensão, acompanhado por oficial de justiça,“o estabelecimento foi lacrado e os seus representantes notificados a não desenvolver mais operações pela empresa, suspendendo a oferta de serviços”.

No exato instante da operação, estavam na sala três homens, que tiveram sua identidade preservada. Eles foram notificados pelo oficial de justiça de que estavam impedidos de oferecer investimentos em criptomoedas, além de serem levados à Delegacia de Polícia. Os homens, contudo, não prestaram depoimento, fazendo uso do direito em permanecer em silêncio.

O delegado disse que foi juntado na investigação criminal, um documento pelo qual a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), “dá conta de que a Unick Forex não tem autorização para operar ou captar clientes no Brasil”.

Por meio de nota, a Polícia Civil solicita que “pessoas que tenham aplicado dinheiro na Unick Forex, procurem a Delegacia de Polícia para serem inquiridas nos autos da investigação criminal”.

Ele afirma que ainda não foi possível apurar o exato número de investidores que foram captados naquela região. Entretanto, há notícia de que cerca de 300 pessoas haviam se envolvido com a empresa de alguma forma.


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