Justiça tira passaporte de Claudio Oliveira, dono do Bitcoin Banco

Advogados que cuidavam da recuperação judicial do Bitcoin Banco deixam o caso
Cláudio José de Oliveira, fundador do Bitcoin Banco (Foto: Reprodução)

A Justiça do Paraná reteve o passaporte de Claudio Oliveira, dono do Bitcoin Banco, na tarde de terça-feira (20) após suspeita de que ele poderia deixar o país rumo à Suíça nesta quarta-feira.

Conforme o processo ao qual o Portal do Bitcoin teve acesso, trata-se de uma causa no valor de R$ 578 mil. O pedido visou os passaportes brasileiro e suíço de Claudio. A alegação é que a empresa “da qual é proprietário, encontra-se atualmente envolvida em suspeita de fraude e pirâmide financeira”.

Na decisão, a juíza Thalita Bizerril Duleba Mendes, da 15ª Vara Cível de Curitiba, cita o vídeo no qual o ‘rei do Bitcoin, como foi apelidado pela grande imprensa, ironiza o bloqueio de seus carros de luxo.

Entre os argumentos para a retirada do passaporte está nota publicada na coluna de Lauro Jardim, no Globo.

“Existe, portanto, a devida correlação entre a medida atípica almejada pela parte (no caso, a apreensão do passaporte) e a finalidade ambicionada. Isto porque, neste juízo de cognição sumária e acauteladora, não havendo informações sobre outras pessoas com informações tão específicas e sigilosas, presume-se que o requerido é quem dispõe dos elementos indispensáveis à solução da demanda”, escreve a juíza.

Também durante a tarde de terça, a sede do Bitcoin Banco recebeu a Polícia Militar, que cumpriu mandato de busca e apreensão referente a um processo de dois clientes que juntos possuem um saldo superior a R$ 1,4 milhão travado nas corretoras do Bitcoin Banco.

O juiz determinou que fosse realizada a busca e apreensão das criptomoedas no referido montante e transferido para a carteira virtual que os clientes possuem junto à exchange FlowBTC.

“A medida deverá ser efetivada por profissional de TI acompanhado por Oficial de Justiça e reforço policial na sede das requeridas, a quem deverá ser dado integral acesso ao local e sistemas computacionais necessários”, dizia o documento.

Em julho, pelo menos seis carros de Claudio Oliveira foram apreendidos após decisão da justiça em processo que corria também devido aos saques presos. Na ocasião, o empresário conseguiu manter seus carros de luxo após assinar um acordo com a acusação.

Em nota, a empresa disse que “O GBB afirmou tem estado à disposição de seus clientes e da Justiça desde o início da crise que afetou sua operação, e que foi denunciada à autoridade policial.

No dia 24 de maio, a empresa informou a descoberta de uma ação criminosa pela qual, valendo-se de uma brecha na plataforma das exchanges do GBB, um grupo de clientes duplicou os saldos de suas contas e efetuou saques indevidos, de dinheiro que não existia, num golpe calculado em R$ 50 milhões.

Desde então, um conjunto de ações foi adotado para superar os efeitos da fraude e regularizar o pagamento dos saques solicitados”.

Sem saída

Buscando soluções, Claudio Oliveira anunciou, em áudio divulgado nos grupos de WhatsApp, que relançaria sua plataforma de venda de produtos Get4Bit.

O objetivo é pagar os clientes com produtos oferecidos pela loja, que vão desde iPhones, eletrodomésticos e jóias até motocicletas. Na última vez, quando tentou pagar clientes com iPhones, a justiça bloqueou todos os smartphones e frustou os planos no empresário.

Por fim, o Bitcoin Banco anunciou no final da noite de terça-feira o lançamento de um portal de notícias chamado Breakchain. O Breakchain, diz o site, é “um portal de notícias, pertencente ao Grupo Bitcoin Banco, direcionado ao mercado das criptomoedas e a todos os nossos clientes e leitores”.

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