Impera Trader prometia rendimento de 1,5% ao dia, mudou de nome e quebrou

Impera Trader: Empresa que pagava rendimento de 1% ao dia mudou de nome e quebrou
Ricardo Augusto e Wesley Costa comandam a Impera Trader. Imagem: Reprodução/Impera Company

A Impera Trader, agora chamada de Impera Company, é mais uma suposta empresa de investimento que prometeu ganhos estratosféricos e não conseguiu manter o negócio. Só de capital raiz a empresa deve cerca de R$ 3 milhões e não paga clientes há pelo menos quatro meses.

As informações partiram de um cliente que falou sob anonimato ao Portal do Bitcoin na terça-feira (3). Contudo, queixas no site Reclame Aqui e áudios vazados de um dos responsáveis da empresa, revelam o caos que se tornou o negócio.

De acordo com o cliente a empresa prometia pagar 1,5% ao dia de rendimento, com a “promessa de dobra” em seis meses. Segundo informações no site, a Impera tem sede em Curitiba (PR) e conta com cerca de 12 mil afiliados.

O cliente disse que teve um mês que seu investimento rendeu mais de 35% e ele conseguiu sacar. No entanto, após um período a porcentagem caiu para menos de 1%, com promessa de dobra para 10 meses.

Cursos e supostos rendimentos oferecidos pela Impera Trader. Imagem: Reprodução

Má gestão na Impera Trader

O pastor e radialista Ricardo Augusto, que junto com Wesley Costa comandava a empresa. No áudio vazado, supostamente gravado por Augusto e enviado a um grupo de bate-papo, ele tenta justificar a falta de liquidez da Impera Trader — valores que entraram e saíram.

O áudio sugere que ele apenas reitera algo que já havia explicado antes. “Que parte vocês não entenderam?”, questionou.

Ele então se direciona a uma pessoa que lhe cobrava: “R$ 130 mil? Legal hein? E eu que posso perder a minha vida e a minha liberdade?”.

Empresa usou fundos dos clientes

Numa conta rápida, ele cita vários valores que foram usados do dinheiro que negócio arrecadou.

Ele citou compra de cadeiras, construção de um estúdio de gravação, uma colmeia no valor de R$ 1 milhão, e até mesmo R$ 300 mil para um evento da empresa. Mencionou ainda impostos pagos no valor de cerca de R$ 700 mil.

A empresa movimentou cerca de R$ 8 milhões, revelou, mas que R$ 5 milhões “foram parar nas mãos dos afiliados”. Sugeriu, também, a venda de tudo o que a empresa tem para pagar os clientes.

“Estou tendo o maior problema da minha vida”, disse supostamente Augusto, que por conta do negócio, teve que pedir demissão da rádio e deixar a igreja em que pregava há oito anos.

Ainda segundo o áudio, ele disse que sofre ameaças e por isso estava andando acompanhado de um policial. Afirmou também que estava indo para outro estado e que acredita que pode ser preso, mas que pretende quitar a dívida.

“Enquanto eu estiver de pé eu pretendo vencer, mesmo sendo preso — porque eu não vou ficar muito tempo preso — eu pretendo honrar com a dívida de cada um aqui”, desabafou.

Impera tem três nomes

Os nomes usados pela empresa são: Impera Trader, plataforma que comandava operações com criptomoedas; Impera Company, que oferece cursos sobre o mercado; e Impera Cosméticos — sem liquidez, a empresa também resolveu comercializar perfumes, camisetas, relógios etc.

Segundo o cliente, eles mudaram o nome da plataforma depois que as autoridades começaram a investigar vários casos de empresas de investimentos com bitcoin, citando como exemplo a Unick.

No site, um contrato diz que o negócio é um ”sistema de Marketing Multinível e vendas diretas”. No entanto, só é possível se afiliar através de um indicador.

Empresa se pronunciou

Por meio de um comunicado recente a clientes, a Impera Company resumiu as ações que a empresa vem tomando. O objetivo é resolver o problema “no sentido de honrar os cashback com os afiliados” depois de ter sido criada uma “bolha de saldo dentro do sistema”.

A empresa afirmou que há um estudo de apuração dos valores de cada afiliado e que a ação deve levar até 30 dias. A intenção, escreveu, é para dar início a propostas de ressarcimento do capital raiz de quem ainda não retirou cashback.

Outro áudio recente compartilhado com o Portal do Bitcoin revela que a empresa procurou um empresário para entrar no negócio. No entanto, a parceria não deu certo porque ele se propôs apenas em dar alguns suportes, e não dinheiro imediato.

Denúncias no Reclame Aqui

Até o fechamento desta matéria, a empresa ainda não havia respondido a nenhuma das reclamações registradas no site Reclame Aqui.

A queixa mais recente é de um cliente de Teresina (PI):

“Não consigo sacar meu dinheiro desde outubro. Quero sacar e cancelar”.

Outro cliente diz que nunca recebeu nada. A reclamação é do dia 11 de novembro.

“Investi na plataforma com uma propaganda de dobra de capital em determinado tempo. Não saquei um centavo e não pagam mais ninguém”, reclamou.

“É uma pirâmide e não estão pagando”, escreveu outro investidor de Curitiba (PR).

Imagem: Reprodução

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