Hospital da Índia confirma morte de CEO da QuadrigaCX; R$ 700 milhões sem acesso

Hospital da Índia confirma morte de CEO da QuadrigaCX; R$ 700 milhões sem acesso
(Foto: Shutterstock)

Um hospital particular de Jaipur, na Índia, chamado Fortis Escorts, confirmou a morte de Gerald Cotten, fundador e CEO da QuadrigaCX e único responsável pelas chaves privadas das carteiras de criptomoedas da exchange.

Em uma declaração enviada nesta quinta-feira (07) à Coindesk, o hospital disse que Cotten foi internado no dia 08 de dezembro de 2018 às 21h45 no horário local e morreu de parada cardíaca às 19h26 do dia seguinte.

A data da morte do empresário coincide com a informada anteriormente pela empresa de funeral ‘JA Snow Funeral Home’ e com um atestado de óbito emitido pelo governo indiano, diz a reportagem.

Segundo o comunicado do Fortis Escorts, Cotten deu entrada no hospital em condição crítica e mais tarde foi diagnosticado com choque séptico, além de apresentar outros problemas que foram se agravando devido à doença de Crohn pré-existente.

No dia seguinte (09/12), ele sofreu uma parada cardíaca e os médicos conseguiram ressuscitá-lo, diz a nota. No entanto, sua condição cardíaca não foi suficiente para mantê-lo vivo e Cotten morreu após a segunda parada do órgão.

“Apesar de todos os esforços de nossos médicos, o paciente não pôde ser ressuscitado e foi declarado morto aproximadamente às 19h26. Todos as normas e procedimentos médicos foram seguidos para tratar o paciente. A informação de sua morte foi comunicada às autoridades competentes”, relatou a direção do Hospital ao site.

Entenda o caso QuadrigaCX

A morte de Cotten foi anunciada de forma tardia quando sua esposa, Jennifer Robertson, entrou com pedido de proteção ao credor na Suprema Corte da província de Nova Escócia, no Canadá, no dia 31 de janeiro.

O pedido foi acatado no dia 05 deste mês e a empresa não pode receber nenhum processo nos próximos 30 dias a partir desta data.

Robertson alegou que somente o marido detinha as chaves privadas das contas da exchange. Apresentou, também, a declaração de morte da empresa de funeral.

A exchange ficou inacessível uma semana após a notícia da morte de Cotten, fundador da empresa com 363.000 usuários registrados. Dentre eles, 92.000 possuem saldos em conta.

Testamento dias antes de morrer

Cotten apresentou um testamento 12 dias antes de morrer. Nele, Robertson foi registrada como a única beneficiária e executora de todo o espólio do falecido — eles não tiveram filhos.

Segundo documentos judiciais, a viúva herdou uma grande quantia (não divulgada) de ativos e de dinheiro que mantinha nos bancos Bank of Montreal e no Canadian Tire, carro de luxo de quase meio milhão de reais, iate e até mesmo um avião. É o que mostra o testamento de 27 de novembro de 2018.

Cotten, cuja morte, segundo Robertson, foi repentina, levou consigo o acesso a US$ 180 milhões em Bitcoin, Ethereum, Bitcoin Cash, Litcoin e US$ 70 milhões em fiat, caso as chaves privadas não reapareçam.

O montante totalizou, então, 250 milhões de dólares canadense (cerca de R$ 700 milhões) pertencentes a 115 mil usuários.

Laptop criptografado

No laptop, os endereços de email e o sistema de mensagens que ele usava para administrar a empresa eram todos criptografados.

Nele estavam as chaves privadas e senhas de acesso a tudo que era relacionado às finanças da QuadrigaCX — contas bancárias, fundos de criptomoedas online e offline.

Robertson, que ficou de posse do computador, disse que não conseguiu o acesso ao dispositivo justamente por estar criptografado. Ela não possuía nenhuma chave privada.

Segundo a viúva, o laptop era o único dispositivo que Cotten usava para conduzir tudo a respeito da exchange.

“O computador laptop do qual ‘Gerry’ conduziu os negócios é criptografado e eu não sei a senha ou a chave de recuperação. Apesar de vários esforços em buscas, não consegui encontrá-las em nenhum lugar”, diz o documento assinado pela viúva.

Caso provocou suspeita

No Reddit, os usuários demonstraram desconfiança do fato e até mesmo duvidado da morte do empresário, agora aparentemente esclarecida.

“Precisamos de provas”, disse o usuário ‘kingsosshoota’. “Nós precisamos do endereço da carteira offline, fotos do cadáver, cópia do passaporte onde consta a entrada na Índia, imagens de câmera de segurança para ver quem estava com ele ou o que portava como bagagem”, concluiu.

Já um outro usuário, ‘justinbeebers’, falou diretamente em golpe e mentiras.

“Cotton planejou isso, forjou sua morte, instruiu Jennifer a interpretar o papel de ‘viúva desnorteada’ e passou a bola para os tribunais canadenses”.


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