Genbit, do grupo Tree Part, atrasa pagamentos aos clientes e limita saques

Genbit, do grupo Tree Part, atrasa pagamentos aos investidores e limita saques
Foto: Shutterstock

A Genbit tem passado por problemas para pagar seus investidores há mais de um mês. A empresa é do grupo Tree Part, representada pela Gensa Serviços Digitais, a mesma que antes representava a Zero10Club — proibida de operar no Brasil pela CVM.

A Genbit chegou a estornar os pedidos de saques feitos até o último dia 30 e criou uma nova regra de que cada cliente somente poderá sacar até 0,5 bitcoin por dia.

De acordo com um comunicado aos investidores, a Genbit estaria instituindo novas políticas e com isso resolveu estornar todos os saques antes do dia 1º desse mês.

A empresa afirmou que tanto o estorno quanto o teto de saques são para “preservar momentaneamente os limites financeiros das transações relacionadas às movimentações de compra e venda de BTC”.

O problema de atrasos nos pagamentos, no entanto, já vem ocorrendo há mais de um mês, conforme relatou um investidor que conversou com o Portal do Bitcoin, mas preferiu não se identificar.

Ele disse que enquanto os bitcoins estão dentro da estrutura da empresa tudo funciona perfeitamente. A situação se complica, entretanto, quando a pessoa precisa converter em dinheiro numa conta bancária ou quando as criptomoedas precisam ser enviadas para uma carteira fora das empresas do grupo controlado pela Tree Part.

Genbit sem pagar

Ele explicou que o valor inicial hoje mínimo é de R$ 2.900. A logística, segundo esse investidor, se dá da seguinte maneira. A pessoa aplica esse dinheiro na Genbit e essa empresa joga o investimento para o chamado programa de Vantagens, que também pertence ao mesmo grupo.

No site do Programa de Vantagens não irá aparecer o valor aplicado, mas sim 10% da aplicação após 30 dias. Nisso, ou o investidor saca ou mantém nesse programa de vantagens.

“Não aparecerá no Programa de Vantagens, mas está no cadastro da Genbit onde tem todos os dados. Eles estavam pagando tudo certinho, mas de um mês e meio a dois meses começaram o problema”.

Ele conta que o grupo chegou a criar um suposto banco para conversão da criptomoeda em dinheiro fiat, o New Tiger Digital. No entanto, a pessoa para sacar de fato tem de pedir transferência do New Tiger para um banco como Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil ou outro do tipo. O problema é que as transferências não estão sendo feitas.

Caso a pessoa opte por retirar o dinheiro da Genbit direto para um banco convencional, ela enfrenta o mesmo problema, além de ter que arcar com taxas.

Pagando caro

Pedir a transferência das criptomoedas para uma “wallet” privada ou para uma exchange convencional também tem dado dor de cabeça ao investidor da Genbit. A empresa cobra taxa de 15% sobre a transferência de bitcoins para outras exchanges. Esses saques também não estão sendo atendidos.

Um outro investidor que pediu para não ser identificado disse à reportagem que a Gensa fez várias mudanças após notícias sobre a sua atuação no mercado e essas modificações coincidiram com atrasos nos pagamentos.

“Está demorando até 30 dias. Ela informou que não vai mais fazer pagamento pela plataforma e que os clientes terão de abrir carteira para receber em outras corretoras”.

De acordo com ele, a empresa cobra taxas que variam. Se a criptomoeda passa pela carteira Gebit será cobrada uma taxa de 4% e para carteiras externas a taxa é daquela parcela de 15% sobre os bitcoins transferidos.

De Zero10 à Genbit

Os dois investidores dizem que a Genbit e a Zero.10 são a mesma coisa. Um deles disse “mudou o nome, mas o endereço e os donos são os mesmos”.

O outro, mais sútil, afirmou que o programa de vantagens é a Zero10 dentro do site da Genbit.

O grupo não oferece publicamente esses investimentos coletivos por meio do site da Zero10 Club, hoje fora do ar, mas sim pela página da Genbit, empresa do mesmo grupo.

A outra estratégia adotada foi de que para a pessoa ter acesso a essa informação sobre o programa de vantagens com promessas de cashback que vão até 440%, ela tem de primeiro se cadastrar.

Os responsáveis pela Genbit afirmaram que esse cashback se assemelharia aos programas de milhas aéreas e que os clientes dessa companhia poderiam trocar os pontos por produtos e serviços.

Resposta da Genbit

A Genbit, por meio de sua assessoria de comunicação, afirmou que: “Não há atrasos nos pagamentos nem restrições de saques pela Genbit.

Em respeito à capacidade limitada de operação de liquidez do sistema financeiro nacional de trabalhar a transição de ativos digitais para dinheiro tradicional, a Genbit adotou um novo programa de saques, para garantir que todos os clientes, independentemente do porte de suas aplicações, tenham tratamento equânime.

Pela nova política, tomada em decorrência das limitações do sistema bancário, os pedidos de saques foram escalonados a R$ 20 mil/dia. Um exemplo: se um cliente vender bitcoins ou frações do criptoavito e tiver direito a R$ 25 mil, receberá R$ 20 mil no dia programado e os R$ 5 mil restantes no dia útil seguinte, respeitando-se a cotação da transação.

A medida foi tomada de maneira transparente, com avisos a todos os clientes, respeitando-se as políticas de compliance da Genbit. Momentaneamente, a exchange também limitou as transferências de custódia a 0,5 de bitcoins/dia, enquanto trabalha para ampliar seus meios de transação tanto em modalidades de criptoativos quanto em meios de pagamentos de liquidações”.

Proibidos pela CVM

O grupo Gensa está proibido pela CVM desde o dia 26 de março de fazer oferta pública de investimentos. A Superintendência de Registro de Valores Mobiliários (SRE) da CVM, havia, por meio da Deliberação CVM 813. ordenado a suspensão atuação irregular da empresa sob pena de multa diária de R$ 5 mil.

Mesmo após a emissão desse documento, a empresa que representa a Zero 10 Club e a Genbit ainda vinha ofertando publicamente, por meio da página www.zero10.club/index.html, contratos que se enquadram no conceito legal de valor mobiliário. A CVM, então, resolveu expedir um novo alerta e resolveu aumentar o valor da multa a qual poderia chegar a até R$ 300 mil.

Na época, a empresa se defendeu afirmando que era algo estranho uma vez que ela sempre mantinha o canal aberto de diálogo com a autarquia.


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