“Fomos reconhecidos pelo maior volume”, diz advogado Ismair Couto ao deixar Bitcoin Banco

Ex-diretor jurídico do Bitcoin Banco tenta receber R$ 280 mil e pede busca e apreensão de bitcoins
Ismair Couto na época em que era diretor da CLO ao lado da então vice-presidente, Heloísa Ceni (Foto: Reprodução/Youtube)

Antigo aliado e fiel escudeiro de Claudio Oliveira, o advogado Ismair Couto foi um dos últimos a abandonar o barco naufragado do Bitcoin Banco. Desde o dia 9 de janeiro, ele não trabalha mais para a empresa. O motivo da rescisão? Falta de pagamento.

De acordo com um documento endereçado a Jhonny Pablo dos Santos, atual presidente do Bitcurrency Moedas Digitais, Couto comunicou a rescisão e a renúncia a todos os mandatos outorgados, sejam de pessoas físicas ou jurídicas, vinculadas ao Bitcoin Banco.

A carta também informa que a empresa tem até 10 dias para constituir outro advogado. Dados do pedido de Recuperação Judicial do Bitcoin Banco mostram que Couto tem R$ 71 mil para receber — R$ 20 mil em créditos trabalhistas e R$ 51 mil em créditos quirografários.

O GBB emitiu uma nota no qual agradece ao profissional pela “forma ética e e o alto grau de profissionalismo empenhado […] nos serviços prestados”. Couto sempre esteve presente no coração da empresa, tendo ingressado no final de 2017 e permanecendo por bastante tempo como seu diretor-jurídico.

Quando o Banco Plural fechou a conta da empresa, foi ele, ao lado de Heloísa Ceni, então vice-presidente, que fez o comunicado ao vivo do Bitcoin Banco.

Em uma entrevista com o Portal do Bitcoin, via Whatsapp, o advogado confirmou a saída. Ele disse também que teve grande afeto pelo Bitcoin Banco e mantém que a empresa chegou a ter a maior exchange em volume, considerando o par BTC/BRL. Confira abaixou a entrevista completa:

Portal do Bitcoin — Qual foi o motivo da rescisão?
Ismair Couto — O GBB está em franca recuperação judicial e sem condições, no momento, de continuar honrando, com regularidade, com contratos envolvendo alta remuneração. Foi a forma que encontrei de dar a minha colaboração.

Você chegou a ser sócio do GBB, não?
Jamais integrei contrato ou estatuto social na condição de sócio. Cheguei a ser diretor jurídico, portanto, um diretor estatutário, mas sem poderes de gestão. A diretoria jurídica, como o próprio estatuto informa, sempre foi um órgão de assessoramento sem direito a voto.

Mas na associação chamada Iconomia você consta como um dos fundadores.
Exato! Mas se tratar de uma associação, como uma entidade de bairro, por exemplo. Ser diretor fundador de uma associação não significa ser dono dela. Aliás, isso nem é possível cogitar. O Instituto iCoinomia foi uma espécie de natimorto. Seus ideais não passaram do papel em função de falta de união dos CEOs de exchanges. O iCoinomia, importante afirmar, sequer teve patrimônio, tampouco conta corrente.

Você também saiu da CLO?
Eu rompi o contrato e esse rompimento alcança todas as pessoas, jurídicas e físicas, que têm algum tipo de vínculo com o GBB, inclusive o iCoinomia.

O que você sente em relação ao que a empresa se tornou?
Eu ingressei como Direitor Jurídico da então empresa Bitcoin Banco de Cryptocurrency, em 02/10/2017, que na época seu tipo societário era limitada. Na ocasião, sequer existia grupo econômico. Minha missão primeira foi o de viabilizar, juridicamente, os produtos que estavam na mente do empresário para tal empresa. Na sequência, a ideia de grupo econômico ganhou força em função das incorporações e fusões que foram sendo negociadas.

Além da área jurídica, também possuo formação na áreas de sistemas, tendo sido analista de empresa pública federal por muitos anos. Essa proximidade com tecnologia me fez resgatar e associar o desenvolvimento de atividades intelectuais, com as quais sempre me vi entusiasmado. Destaco isso porque me surgiu, embora não fosse um administrador, um sentimento de afeto por tudo o que se fazia naquela organização, que cresceu exponencialmente após a minha chegada por lá. Sinto um grande pesar pelo estágio em que se encontra. E quando digo isso, eu me valho do cenário em que o grupo já foi reconhecido como o maior em volume de criptomoedas, considerado o par bitcoin/real.

E o que você diria para as milhares de pessoas que perderam dinheiro nas exchanges Negociecoins e Tembtc, além das que perderam pelos produtos de rendimento oferecidos pelo Bitcoin Banco?
A crise no GBB nunca foi jurídica, mas de gestão, e isso gera um sentimento, convenhamos, de profunda frustração, vez que o GBB foi concebido, nos termos dos respectivos atos societários, para atuar sob o comando de vários diretores. Embora o organograma do GBB previsse uma estrutura de governança corporativa, pois foi assim que foi concebido juridicamente, os gestores não conseguiram a vigilância necessária, capaz de adotar os mecanismos capazes de barrar a fraude que, segundo o CEO, desencadeou a crise.

E por falar em crise, eu me reuni com vários investidores ao longo desse triste período. Sempre me coloquei na posição de ouvinte, independentemente de dia e horário. Esse comportamento acabou me aproximando de fatos complexos, envolvendo aspectos de saúde. Estando de boa-fé, não há quem não se afete diante do cenário com enorme perda. Como advogado eu jamais posso deixar de confiar na justiça, e foi essa a orientação que sempre prestei aos que me procuravam.