Entrevista com Felipe L., um dos Fundadores da Walltime

Dando sequencia a série de entrevistas do Portal do Bitcoin, hoje trazemos aqui o Felipe, um dos fundadores de uma das maiores corretoras de bitcoin do Brasil, a Walltime.

1 – Oi Felipe, na sua opinião, qual é a principal vantagem atual do bitcoin?

Felipe: A mesma de sempre. Reserva de valor para médio e longo prazo, transporte intercontinental rápido e barato, correção do “bug do ouro” (que explico em meu artigo), proteção à inflação e pouca confiabilidade de moedas fiduciárias, entre inúmeras outras.

2 – Quando e por que você decidiu criar a Walltime?

Felipe: Foi em meados de 2013. Na verdade, a ideia inicial não era necessariamente uma corretora, mas qualquer produto relacionado a Bitcoin. Nós começamos vendendo carteiras de acrílico para armazenamento cold. Decidimos seguir como corretora pois não gostávamos das que existiam atualmente, principalmente na questão de segurança e simplicidade.

3 – O que a Walltime pretende entregar de novidades e melhorias pro usuário em 2018?

Felipe: Suportar Segwit e fazer retiradas em lote (para diminuir a taxa), aplicativo de celular, informação de mercado, volume, gráfico, últimos trades e API pública, depósito pré-aprovado de reais e bitcoins. Suportar altcoins.

Tudo que estiver marcado como “planned” em: https://walltime.canny.io/ é porque já está em nosso roadmap. Não prometemos tudo para 2018, mas nossos usuários podem contar com novidades bem legais!

4 – Vocês não tem ainda uma API pública, o que impossibilita de acompanharmos o volume negociado pela Walltime diariamente. Você pode divulgar esses dados? Qual média de volume vocês tem por dia? Pretendem tornar a API pública?

Felipe: A Walltime pretende abrir esses dados e a API o mais breve possível.

5 – Você é bem conhecido por ter os dois pés atrás com as altcoins. Vocês pretendem adicionar alguma na Walltime? A demanda por grandes exchanges brasileiras negociar altcoins é bem alta. Nessa hora o mercado fala mais alto do que a ‘’ideologia’’?

Felipe: Sempre tive uma posição cética em relação a altcoins, não necessariamente contrária. Sempre acreditei em uma segunda opção ao Bitcoin para casos de emergência. O que não concordo é com a banalização da criação de novos tokens e a propaganda massiva que fazem desses tokens na comunidade Bitcoin, gerando um spam e desviando o foco principal da comunidade crypto, além de diminuir a escassez dos tokens já existentes, pois o custo de produção de uma nova alt é praticamente zero.

A Walltime já suporta altcoins no backend. Apenas ainda não adaptamos o front, mas só vamos suportar aquelas que julgarmos bem testadas e seguras. Não queremos que nossos clientes percam dinheiro em aventuras. Atualmente as mais pedidas são a Raiblocks e a Decred, pois tem uma comunidade brasileira muito forte. Elas já estão em análise pela equipe técnica.

6 – Você é bem fã do opendime mas pouca gente sabe do que se trata. Explica um pouco o que é. Você acha que isso será bastante utilizado no futuro?

Felipe: Pra mim o Opendime é a maior invenção desde o próprio Bitcoin. Digo isso pois o Bitcoin foi idealmente criado para ser o ”dinheiro em espécie digital” – literalmente. “Eletronic cash” – que é uma referência direta ao dinheiro de papel (por sua fungibilidade e praticidade). O Opendime remonta essa ideia: transforma algo que é puramente digital em algo físico, palpável. Sempre brinco que é como no filme Tron, onde é possível “entrar e sair de um programa de computador”. O Opendime é o Bitcoin em forma de “barra de ouro”, que você pode passar de mão em mão de forma totalmente anônima e segura, instantânea e off-chain. Creio que isso será muito utilizado no futuro, e escrevo isso em meu artigo “Museu do dinheiro em 2066”. Em 2066 veremos se minha previsão estava correta.

8 – Voltando ao assunto altcoins. Você acredita no projeto de alguma? Acha que alguma pode ser uma ameaça ao bitcoin no futuro?

Felipe: Creio que altcoins em geral já são uma ameaça real ao Bitcoin pois elas abocanharam um marketcap bem maior do que eu considero saudável ao mercado. Pra mim, a valorização exagerada de tokens inéditos que não apresentam inovação relevante, foi de longe o maior ataque que o Bitcoin já sofreu. O Bitcoin deve resistir a isso ou então eu diria que nenhuma crypto poderia ser segura para armazenar riqueza em longo prazo, pois sempre haverá a ameaça de outra ultrapassá-la em valor. Eu gosto da Litecoin e Dogecoin, por serem uma cópia bem parecida do Bitcoin e por serem bastante antigas, onde tiveram seu auge numa época em que altcoins eram apenas uma alternativa ao Bitcoin e não tinham a pretensão de desbancá-lo a qualquer custo. Eu creio que tradição é um item importante no dinheiro, e Bitcoin, Litecoin e Dogecoin são moedas bem testadas e antigas.

Nenhuma alt ainda me convenceu ser tão robusta e segura quanto o Bitcoin, mas posso dizer as que considero bastante prejudiciais ao ecossistema: Ripple e BCash, por exemplo. Ripple por ser semi-centralizada, ter a maioria das moedas pré-mineradas e em posse de uma fundação, e o BCash por tentar utilizar a marca do Bitcoin para se beneficiar.

9 – A Walltime tem uma das menores taxas do mercado. Porém, as taxas ainda são uma grande reclamação dos brasileiros. Vocês acreditam que num futuro próximo as taxas de compra/venda e as de saque poderão diminuir?

Felipe: Acredito que não, por conta do custo caro de se manter uma empresa no Brasil, devido à alta carga tributária e regulamentações que nos sufocam. A não ser que o cenário mude no futuro.

10 – O que você acha da regulamentação das criptomoedas no mundo e no Brasil? Isso pode beneficiar em algo o mercado? Pode dar mais segurança ao investidor e as empresas?

Felipe: Pessoalmente eu creio que não seria necessário regulamentar, pois já seria possível encaixar o Bitcoin nas leis existentes. Porém, para uma exchange, a regulamentação traz mais segurança jurídica, e consideramos ser algo inevitável, longe de nosso controle. Esperamos somente que a regulamentação seja coerente e permita que empresas pequenas possam crescer sem serem sufocadas logo no início.