Empresa brasileira de criptomoedas tem rombo de 100 Bitcoins, revelam sócios

(Foto: Shutterstock)

A situação de crise do My Alice Extreme é exposta por ex-sócios em redes sociais. Em uma publicação feita nessa segunda-feira (10) por Jean Kássio, sócio programador da companhia, no Facebook, estão áudios pelo qual Diego Vellasco, ex-Ceo da empresa, assume que tem mais de 100 Bitcoins perdidos e que a única solução seria de “arrumar um ‘bucha’ para assumir” a dívida.

O My Alice, que é uma empresa que dizia realizar trades para dar rendimento aos clientes, está desde o mês passado com Bitcoins de clientes bloqueados. A empresa, que nesse meio tempo passou a administração para um suposto investidor de nome Samuel Ribeiro, culpou a Binance pelo ocorrido, alegando que a corretora tivesse bloqueado o saldo, mesmo sem mostrar provas.

No último dia 24, Diego Vellasco, ex-Ceo dessa empresa, anunciou num vídeo que foi veiculado nas redes sociais sua saída para se dedicar ao projeto de uma companhia chamada VL Capital.

A questão, contudo, é que tem muita coisa que sequer estava sendo reportada aos sócios. Kássio disse em seu post que Vellasco não repassava as informações sobre a Binance, “impedindo que os sócios pudessem verificar os saldos e operações presentes nas contas”.

Depois de algumas discussões, os sócios descobriram que a empresa estava insolvente. De acordo com as conversas vazadas entre Uatá Lima, Jean Kássio, Diego Vellasco e um sócio oculto, a situação é bastante delicada. Num dos áudios Kássio aumenta o tom de voz e questiona Vellasco sobre a empresa somente ter 20 Bitcoins.

“Nem se você desse 90% de perda teria só 20 Bitcoins aí. Tem 100 Bitcoins faltando. R$ 3 milhões. Onde está esse dinheiro?”.

Rombo no My Alice

Vellasco, no entanto, respondeu que “o negócio está feio” e justificou o sumiço das criptomoedas pelo fato de a empresa ter passado por um roubo, o que não convence aos seus sócios.  

Kássio, então, respondeu que “não tem como fazer nenhuma operação ou roubo para sumir 100 Bitcoins assim” e apontou que os dados de Vellasco não batem, pois o sistema mostra 120 bitcoins ao invés dos 20 que o ex-Ceo sustenta ter.

Assim como Kássio, Lima, que é sócio investidor da empresa, se mostra preocupado com a repercussão negativa disso tudo. Ele sugeriu à Vellasco que as cotas societárias fossem vendidas para um novo sócio e que a situação fosse passada aos clientes.

Possíveis soluções

Vellasco respondeu de forma enérgica que “cota societária não vende da noite para o dia”. Ele argumentou que a pessoa iria querer saber sobre os detalhes contratuais e isso dificultaria tudo.

“Abrir cota societária vai demorar para caramba, porque qualquer sócio vai querer olhar tudo. Não vai ter como entrar. E, mesmo assim o negócio continua rolando. Vem depósito de um lado saque do outro. Bitcoin valorizando, o pessoal saca mesmo.”

Como solução, Vellasco afirmou que já teria um bucha que aceitou assumir o problema e que só bastaria simular uma venda da empresa.

“Eu consegui um bucha para assumir isso, uma pessoa para abrir o peito e dizer ‘a responsabilidade é minha’. Ele vai botar o CNPJ dele e a cara dele(…). Não querem um bucha para assumir para vocês, tranquilo eu pago para ele assumir só para mim. De boa”.

A estratégia do ex-CEO seria de simular a venda da empresa para um novo CNPJ, conforme ocorreu no mês passado. Após isso, travar os saques a fim de ganhar tempo e ir resolvendo a situação paralelamente.

Aparentemente é isso que tem ocorrido com o My Alice que agora está sob a gestão de Samuel Ribeiro, o qual anunciou na última semana o afastamento de Vellasco.

Antes, contudo, Vellasco disse que estava auxiliando o novo CEO da empresa e que a conta da Binance teria sido bloqueada pelo suposto fato de que a conta havia mudado de titularidade, saindo do nome de Vellasco para Ribeiro.

O Portal do Bitcoin tentou entrar em contato com Diego Vellasco para falar sobre o caso. No entanto, o seu telefone estava na caixa de mensagens. A reportagem também tentou contatá-lo por meio de Whats App, o que também não surtiu efeito. Até o fechamento dessa matéria, Vellasco não se manifestou.

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