Demissão de quase 7 mil pessoas ajuda Itaú, Bradesco e Santander a elevar lucros

Juntos, os três bancos privados demitiram quase 7.000 pessoas em 2019; além do enxugamento, as empresas também tentam se aproximar do universo de fintechs

Nubank, Original e Inter forçam Banco do Brasil, Bradesco e Itaú a fechar agências e mudar estratégia
Foto: Shutterstock

O ambiente mais competitivo do mercado financeiro brasileiro tem levado os grandes bancos a fazer ajustes em suas estruturas para preservar lucros. Juntos, Bradesco, Itaú e Santander – os três maiores bancos privados do país – fecharam 430 agências e demitiram quase 7.000 pessoas ao longo de 2019. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O Bradesco, que fechou mais de 100 agências em 2019, dispensou um total de 1.276 funcionários. O Itaú fez um corte ainda maior e desligou 5.454 pessoas por meio de PDV (Programas de Demissão Voluntária), além de encerrar 436 pontos físicos.

Já o Santander demitiu outros 1.663 colaboradores, embora tenha inaugurado 45 agências no interior do Brasil.

A expectativa é que o enxugamento deve continuar em 2020, por meio de PDVs. O Bradesco já anunciou que deve encerrar outros 300 pontos. Itaú também planeja fechar pontos físicos, mas em um ritmo menor do que no ano passado.

Projeção de lucros

Os cortes ajudaram os bancos em seus resultados anuais. O Itaú teve em 2019 o maior lucro para um banco na história do país, de R$ 26,583 bi. O Bradesco teve lucro líquido de R$ 22,6 bi, alta de 18,32% na comparação com 2018. O Santander também expandiu seus ganhos e lucrou R$ 14,181 bilhões no ano passado, 16,6% a mais que no anterior.

Esses resultados, contudo, tendem a ser menores em 2020. De acordo com o Estadão, a competição com as fintechs, que possuem estruturas mais enxutas e oferecem serviços voltados ao usuário, é o principal motivo.

O cenário é potencializado ainda por mudanças coordenadas pelo Banco Central, que visam fomentar a competição e a inovação no mercado financeiro nacional.

Uma dessas medidas é a chamada interoperabilidade — capacidade de comunicação entre sistemas. A ideia é permitir que os clientes dos bancos saquem dinheiro em caixas eletrônicos de qualquer instituição financeira.

Essa política da autoridade monetária nacional está expressa na Agenda BC#, que possui quatro eixos: inclusão, competitividade, transparência e educação financeira.

Associação, compra ou solução caseira

Além do enxugamento de agências e funcionários, os bancos também têm buscado aproximação com o setor de fintechs – seja por associação, aquisição ou mesmo desenvolvendo suas próprias startups financeiras.

Apesar da competição crescente, a associação é vista, em geral, de forma positiva tanto pelos grandes bancos como pelas fintechs. Isso porque permite que uma empresa complemente a outra e amplie o leque de serviços oferecidos ao cliente.

O Banco do Brasil, por exemplo, anunciou no fim de dezembro parceria com a fintech de empréstimos Bom Pra Crédito (BPC). Dias antes, o Banco BV foi além e comprou a fintech Just, braço do Guiabolso que atua com empréstimos online.

Pesquisa realizada pela consultoria PwC em parceria com a ABFintechs (Associação Brasileira de Fintechs) aponta que 35% das startups financeiras enxergam os bancos como parceiros atuais, enquanto 28% os veem como parceiros futuros.

Esse cenário deve ser potencializado à medida que as instituições financeiras implementam suas políticas de Open Banking. Trata-se de uma premissa que incentiva grandes bancos e fintechs a participarem de um ecossistema conectado para melhorar a experiência do cliente.

Há bancos que buscam trazer a mentalidade fintech para suas próprias estruturas. O Bradesco, por exemplo, desenvolveu o banco digital Next e aportou R$ 270 milhões na empresa só em 2019, de acordo com o jornal Valor Econômico.

Com boa aceitação do “filhote digital”, o Bradesco já articula a separação do seu neobank da estrutura atual do banco.


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