Corretora brasileira de bitcoin nega fechamento, mas prende até R$ 800 mil de clientes

Desde o dia 12 de abril, não há movimentação no livro de ofertas da empresa BTCBolsa

Corretora brasileira de bitcoin nega fechamento, mas deixa clientes com até R$ 800 mil presos
(Foto: Shutterstock)

A corretora brasileira de bitcoin BTCBolsa acumula mais de dois meses sem acusar qualquer movimentação no livro de ofertas. Embora a empresa negue o fechamento, há diversas reclamações de clientes com dinheiro preso — um deles, com R$ 800 mil trancados, está processando a exchange.

Em 12 abril, a corretora deixou de aparecer no Cointrader Monitor, um índice de preço que mostra os volumes de negociação no Brasil, por falta de atividade no livro de ofertas por mais de 30 dias.

O próprio site da corretora, sediada em Goiânia, não vem acusando qualquer movimentação de criptomoedas.

Sem respostas

“Fiz um depósito na BTC Bolsa e não creditam em meu saldo, aconselho a não depositarem nada”, disse um usuário no Facebook da empresa. A página não tem novas postagens da empresa desde fevereiro — a movimentação fica por conta das queixas de clientes.

No Reclame Aqui, a exchange já consta como “não recomendada” — um atributo nada glorioso conquistado antes mesmo do congelamento dos status de empresas na plataforma em virtude do coronavírus.

Um cliente de Sorocaba lembra ainda que o site da BTCBolsa chegou a ficar fora do ar durante parte do mês de abril. “Estou tentando fazer a ‘transferência’ de bitcoins para outra exchange mas o status fica ‘pendente’. Total falta de respeito e algo me diz que a empresa está com sérios problemas”.

Já o cliente Pedro Feitosa Sobrinho, de Fortaleza, tem um total de R$ 800 mil em criptomoedas e reais retidos desde fevereiro, fruto de operações de trading. “Fiz uma solicitação de retirada de BTC, LTC e ETH no dia 05/02/2020 e até o momento, as transações continuam pendentes”.

Em conversa com o Portal do Bitcoin, o cliente afirma que já levou o caso à Justiça. “A empresa já foi notificada e estamos só esperando [passar a quarentena] para marcar a data da audiência”.

A falta de resposta da exchange foi tamanha para o cliente Fernando Caio que ele fez vários comentários nos posts da página da empresa no Facebook na esperança de ser ouvido. Ele levou cinco meses para conseguir destravar quase R$ 3.000 que vinha tentando sacar.

“Esse tempo todo eu venho mandando mensagem para o suporte mas eles sempre falam que vão resolver e nunca resolvem. Me sinto muito lesado por eles”.

O que diz a empresa

Curiosamente a solicitação de Caio foi resolvida após a reportagem entrar em contato com a BTCBolsa sobre as reclamações.

Lucas Pacheco, um dos sócios da BTCBolsa, negou que a exchange esteja sem operações — embora admita uma queda no volume, sem entrar em maiores detalhes.

“Estamos com movimentações, não há problema de liquidez. Pode ser que tenha tido uma falha no atendimento”.

Sobre o Cointrader Monitor, o sócio da BTCBolsa afirmou que a saída da lista tem a ver com uma questão de API, que foi desligada.

“A maioria dos clientes hoje não movimentam por API, só pela nossa plataforma. Mas isso não interfere em nada nas nossas operações”.

Pacheco disse que a corretora faria uma varredura nas reclamações feitas no Reclame Aqui e nas redes sociais, embora diga que o foco sejam as queixas realizadas por meio dos canais da empresa. “Sempre o atendimento é feito, nenhum cliente fica sem resposta”.