Como eu Criei uma Criptomoeda e Lancei a Primeira ICO de Portugal

(Foto: Arquivo pessoal)

Hoje vão descobrir, em primeira mão, como tem sido criar e gerir a primeira ICO feita em Portugal. Desde a parte boa, seja ela a curiosidade das pessoas, as perguntas que me colocam ou o interesse em compreender como tudo isto funciona, até aos momentos mais complicados quando realmente pensei que tudo fosse pelo ar.

O começo foi bastante revelador: é difícil acreditar que o mundo das ICOs se parece tanto ao das VCs (venture capital) mas essa é a verdade. Inúmeros grandes projetos que movem muito dinheiro e poucos pequenos projetos que movem pouco dinheiro.

A sensação que tenho é que na verdade a descentralização ainda pouco existe.

Espero também conseguir mudar a opinião de todos aqueles que acreditam que todas as ICOs são esquemas e acordar aqueles que pensam que todas têm um futuro certo.

Nem tudo é preto, nem tudo é branco. Existe muita merda, sem dúvida, no mercado das criptomoedas especialmente entre ICOs, mas o oposto também acontece. O meu objetivo é que a ICO que estou a realizar para o meu projeto, Bityond, seja uma lufada de ar fresco para quem está saturado de projetos megalômanos e que, vocês leitores, possam analisar as qualidades e defeitos do Bityond Token (BYT) que será criado durante o processo.

*A história deste artigo é o meu relato pessoal de como tem sido criar uma ICO. Foi um pedido feito pela redação do Portal do Bitcoin. A ideia era partilhar como é liderar um pequeno projeto que embarca agora numa nova aventura. A mais complicada de todas, onde inúmeros perigos e armadilhas espreitam a cada esquina.

Será que iremos conseguir financiamento em ethers de uma forma descentralizada? Será que o mercado aceitará o nosso modelo de tokens? Será que os reguladores nos irão bloquear? Pior, será que as pessoas não irão perceber o nosso propósito?

E se correr mal, de quem é a culpa? Espero conseguir responder a todas as perguntas com as quais me deparei e que isso vos entretenha o pensamento e ensine alguma coisa. Não tomem isto como um sinal para participar na ICO da Bityond: apenas vou contar-lhes a minha história. Nunca se esqueçam: Todos nós somos responsáveis pelo nosso dinheiro.

A primeira unidade de criptomoeda que comprei foi a Dodge coin, em 2015. Tenho de admitir que já há muito me esqueçi da private key dessa carteira e que não faço sequer ideia onde a guardei. Recordo-me apenas que os memes estavam em altas esse ano e que, portanto, fiz o obséquio de comprar uma moeda com a cara de um cão, dodge.

Era absolutamente hilariante.

Apenas em 2016 me debruçei mais sobre o conceito por detrás da Bitcoin. Começei por ler todos os artigos que garantiam que era uma bolha e que mais tarde iria explodir. Li também as informações de jornais Portugueses e estrangeiros que afirmavam que a criptomoeda não passava de uma moeda digital criada por bandidos para poderem comprar drogas e armas.

Li e reli várias notícias desse gênero.

Até que decidi botar no Google as palavras que me introduziram a um mundo fascinante, do qual ainda não consegui saír.

Bitcoin whitepaper.

Cada nova ideia abre uma porta para um novo universo. Este novo conceito também tem os seus problemas e está longe de ser perfeito, porque felizmente a componente humana continua presente, o que também garante de, alguma forma, a imperfeição do sistema.

Porque é que isto é importante?

Fui introduzido à criptomoeda da melhor forma: ouvindo primeiro os pontos “negativos”.

Quando abrimos o whitepaper do Bitcoin, deparamo-nos com um simples fato: é possível criar um sistema de incentivos que permita a duas ou mais pessoas transacionarem dinheiro de uma forma descentralizada, Peer-to-Peer.

Fiquei totalmente ligado. Perguntas surgiram na minha mente.

Se é possível transacionar dinheiro, porque não outras coisas?

Entra o Ethereum. A primeira vez que li com atenção o whitepaper da rede Ethereum, deparei-me com mais questões do que respostas. Isto porque percebi que a partir do momento da criação daquele protocolo, qualquer pessoa poderia muito facilmente criar um activo digital.

Sim. Sem barreiras, bloqueios, restrições ou permissões.

Para isso é necessário saber javascript, python ou c++, ter a paciência de aprender a trabalhar com o compilador Solidity e a usar algumas novas libraries; é também muito importante ter conhecimentos em teoria económica, mais precisamente em teoria dos jogos, gamificação e sistemas de incentivos (rewards/punishments).

E voilá, a magia acontece.

Foi assim que surgiram novos standards, como o ERC20, que permite que muito facilmente qualquer organização ou indivíduo tokenizem o seu negócio, bem como interfaces que ajudam na comunicação entre um browser e a rede ethereum, como é o caso da POA Network.

Descentralizar tornou-se simples. Desde a infraestrutura até à governância. Ou seja, podemos por exemplo criar um sistema de Partilha de Arquivos (file sharing) descentralizado, onde os usuários são recompensados por guardarem arquivos encriptados de outros usuários (isso requer que utilizemos a infraestrutura da rede ethereum para guardar os ficheiros), ou podemos ter tokens que representam partes do nosso negócio.

Alguns tokens permitem que o software seja usado, outros permitem que os detentores possam votar sobre vários aspectos do negócio e existem também tokens cujo propósito é serem usados como moeda de troca, ou para pagar dividendos por exemplo.

Existem tantos propósitos quanto a imaginação humana permitir. Provavelmente alguns  não farão sentido, ou serão apenas esquemas para alguém enriquecer rapidamente.

Tudo isso é normal. Qualquer mercado cresce desta forma.

Bolhas vão sempre existir porque está na nossa natureza sermos especulativos. Sem isso seria difícil os mercados crescerem. Ou pelo menos não cresceriam tanto quanto a nossa ganância gostaria.

O que tem isto a ver com a ICO da Bityond?

Excelente pergunta.

Eu não vou explicar, para já, como funcionam os tokens da Bityond, acho mais divertido que descubram. Foi para isso é que criamos a página Bityond ICO e o Bityond Whitepaper. Dou umas luzes no final do texto, mas cabe a vocês descobrir tudo dentro da nossa página!

Ao invés, vou discutir as questões que mais investidores e interessados me colocam ao avaliar o projeto Bityond e relacioná-las com a nota introdutória sobe a desproporcionalidade entre valor/tecnologia.

  1. Por que uma hardcap tão baixa, de apenas 400 ETH?
  2. Por que uma aposta tão baixa em marketing até agora?

A primeira pergunta é sem dúvida a que mais me colocam. Desde ICO Advisors e Marketeers escandalizados, a chamadas telefônicas que acabam em insultos, já me aconteceu um pouco de tudo.

O pior, claro, são os youtubers “famosos” e os peritos e “experts” no Linkedin. Para quem não sabe, os valores pedidos por consultores, advisors, sites de rating e afins, são assustadoramente elevados. Existe pouca clareza e transparência em processos de rating e verificação de ICO: quem paga mais, tem um melhor rating. 

Pareçe que a única coisa que importa é:

Quanto é que isso tudo vale?

Custa a acreditar, mas a verdade é que para muitos pouco importa se existe um produto feito, se a equipe é composta por bons profissionais, se o roadmap está bem delineado e a equipa corresponde às expectativas, ou se o design e interfaces foram bem desenhadas e pensadas.

Importa ainda menos se os tokens têm algum propósito, quais os valores associados aos representantes do projeto, como foram coordenadas as campanhas de publicidade no que toca a transparência da informação ou se sequer foi feita uma abordagem ou discussão junto dos reguladores locais (caso exista essa necessidade).

Eu entendo o estigma do valor do projeto, visto que eu também invisto.

Posso dizer que entre projectos diferentes, ao longo destes últimos anos, já investi em mais de 10 ICOs diferentes.

Eu não sou, nem nunca fui, um trader ou expert.

Tento ao máximo fazer apostas de longo prazo e seguir os projetos e equipe em quem mais acredito e confio.

A verdade é que o caminho para a vitória é o mais importante, não a vitória em si.

O que tenciono dizer com isto é que o o sucesso ou fracasso de todos os meus investimentos não são apenas contabilizado em lucros. Importa também perceber que projetos estamos a ajudar ou como estamos a ajudar.

Investir em ICOs é apoiar equipes, ideias e disrupção. Comprar criptomoedas no mercado é apenas comércio de moeda.

Querem saber o que me preocupa quando invisto? Mostro a vocês a minha lógica:

  1. Quem está por detrás do projeto? – Há transparência? Os membros são pessoas focadas que já levaram a cabo outros projetos ou que provaram, de alguma forma, que conseguem fazer a entrega do produto e que merecem a nossa confiança?
  2. Onde vai ser utilizado o investimento? – Que percentagem fica para a equipa, para os usuários, mineradores e investidores? A equipa é gananciosa ou fica com poucos tokens? Quem ganha mais?
  3. Qual a falha de mercado e solução proposta? – Como se enquadra a blockchain e a tokenização do negócio no projeto? São os usuários quem mais ganham com a adição de tokens? Existe alguma contrapartida para a utilização dos tokens? Pagam dividendos, são utility? Qual o propósito dos tokens?
  4. Quanto é necessário investir para avançar com o projeto? – Explicação da necessidade do valor pedido. Onde é gasto o dinheiro ao longo do tempo, para conseguir completar o roadmap proposto. Quando é esperável um ROI para os investidores?

Obviamente que momentos diferentes no tempo requerem análises diferentes. Toda a evolução do mercado é importante para percebermos a relação entre valor investido e potencial tecnológico e de negócio.

No meu caso específico, decidi não levantar muito capital, apenas 400 ETH tal como referi em cima.

Por quê?

Já lançamos uma primeira versão da Bityond no ano passado e estamos a lançar a segunda versão no final do verão (europeu) de 2018; temos planeado o design da terceira versão que irá começar já a ser desenvolvida em outubro de 2018.

Todo o projeto foi criado com capitais próprios, o que significa que não são necessários milhões de dólares para lançar uma ideia ou um negócio. Algum dinheiro será sempre necessário (claro), muita obstinação, força de vontade e sobretudo, ajuda de boas pessoas genuinamente interessadas em desenvolver o negócio e ideia, ganhado sempre algo em troca!

Investimento é essencial para escalar um negócio e foi nessa vertente que decidi fazer a ICO.

Caso consigamos ter sucesso, o financiamento vai ser maioritariamente usado em campanhas de marketing e crescimento da rede, mas também irá uma parte apoiar o desenvolvimento dos smart-contracts que irão distribuir Bityond Tokens gratuitamente pelos usuários, à medida que usam a plataforma (spoiler alert para quem não leu o whitepaper).

Serão necessários milhoes de dólares para conseguir tal feito?

Bom, se pagarmos valores absurdos por campanhas de marketing e publicidade da plataforma, se contratarmos centenas de pessoas para aumentar a empresa, se quisermos ter um crescimento incrivelmente explosivo, não sustentado na tecnologia e necessidade do mercado, nem em clientes e usuários reais, penso que talvez seja.

Como não é esse o meu objectivo para a Bityond, decidi que 400 Ethers eram suficientes para fazer crescer a plataforma. Até porque todos nós acreditamos que esta moeda será muito mais valiosa a cada ano que passa.

Outro dos motivos que me levou a limitar o financiamento, foi também o fato dos tokens serem uma venda pública. Isto é, existe a necessidade das empresas que fazem ICOs serem também responsáveis por compreender que muito do dinheiro investido é de pessoas singulares, que também trabalharam muito para ganhá-lo. Não pode (ou melhor, não deve) haver espaço para gastos idiotas e descabidos.

Qual a melhor forma de não haver tentação? Limitando o financiamento inicial.

Nunca se esqueçam: há sempre a hipótese de pedir mais dinheiro caso seja necessário, mas é (quase) impossível recuperar dinheiro mal gasto.

Optamos também por não realizar uma pré-venda no sentido em que se o mercado é aberto, então todos têm a chance de participar com as mesmas condições.

Quem investir durante a ICO irá receber 100 mil Bityond tokens (100,000.00), sendo o Total Supply um máximo de 100 Milhões de Bityond Tokens (estamos apenas a vender 40,000,000 a investidores).

Para responder à segunda pergunta é importante compreender que a nossa escolha inicial foi utilizar os recursos de capital no desenvolvimento da primeira e segunda versões da Bityond, bem como procurar empresas e utilizador-chave para angariar feedback desde o processo de design e concepção, até ao lançamento.

Um dos pontos mais fortes até ao momento em termos de marketing orgânico, foi a clara transparência no decorrer das conversações entre a Bityond e a CMVM, a entidade reguladora Portuguesa (equivalente à CVM no Brasil). Isso demonstra boa vontade da nossa parte em esclarecer todas as dúvidas e questões, em vez de deslocalizarmos a sede fiscal para outro país mais crypto-friendly (como é o caso da Suíça ou Hong Kong).

Especialmente num mercado desregulado onde não há rei nem rock. 

Com isto peço-vos que visitem a página da ICO da Bityond e também não minto: caso queiram participar, fico-vos eternamente agradecido. Precisamos de crescer e ter dinheiro disponível para campanhas de marketing mais fortes e duradouras, que atingam mais pessoas.

Precisamos também de desenvolver smart-contracts que deixem água na boca de outras empresas e que a utilização dos tokens na Bityond seja fácil, sem a necessidade de utilizadores regulares terem de aprender sobre criptomoedas.

Precisamos de garantir que todos os usuários são devidamente recompensados pelo seu conteúdo.

O nosso objectivo é criar um novo Linkedin 2.0 – com foco na procura de emprego, gestão de talento e matching de skills.

Queremos que vocês nos ajudem a desenvolver uma melhor plataforma ao utilizarem os tokens para votar e quem quiser contribuir para novos desenvolvimentos o possa também fazer por meio da doação de Bityond Tokens.

Quem tiver o objectivo de fazer dinheiro pode trocar BYT por ETH, em qualquer ERC20 Exchange ou guardar os tokens e aguardar pelos airdrops que seguimos planejando para este ano!

A governância da Bityond vai passar a ser de vocês.

Espero que aceitem essa responsabilidade!

Comentem e partilhem! Qualquer pergunta será sempre bem-vinda.