Clientes da InDeal fazem manifestação pela empresa em frente ao Ministério Público em Porto Alegre

Protesto da InDeal em frente ao Ministério Público Federal de Porto Alegre

Na tarde da sexta-feira (26) clientes da Indeal realizaram uma manifestação de apoio à empresa em frente ao prédio do Ministério Público Federal (MPF) do bairro Praia de Belas , em Porto Alegre (RS). A Indeal e seus sócios são investigados por suposto esquema de pirâmide financeira.

Segundo a assessoria de imprensa da Justiça Federal do Rio Grande do Sul (JFRS), eles entregaram um abaixo-assinado pedindo a liberação do pagamento, publicou o Jornal NH.

Conforme mostra o vídeo compartilhado nas redes sociais, o grito de “sou cliente Indeal e nunca fui lesado” por cerca de 200 pessoas, sugere que aqueles que estavam presentes nunca tiveram problema algum com a empresa.

Em maio, poucos dias após a Indeal ser alvo de ação da polícia, um grupo de pessoas também realizou uma ‘Manifestação pública de apoio a InDeal’, registrada na plataforma Avaaz.

Os manifestantes levantaram vários cartazes. Um deles dizia “Egypto sem pirâmide”, não concordando que o negócio seja taxado de pirâmide financeira — referência também à ‘Operação Egypto’, ação da polícia que que deu início ao bloqueio da empresa em maio.

No entanto, na quarta-feira (24) uma denúncia foi recebida pela 7ª Vara Federal de Porto Alegre e 15 pessoas já foram indiciadas pela Justiça Federal.

Eles vão responder por vários crimes, como gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro — a situação de mais dois suspeitos ainda não foi definida.

Clientes querem receber

“O dinheiro é nosso, autorizem os pagamentos”, diz um dos cartazes. Além do apoio à empresa, os clientes pediram agilidade nos processos para liberação dos valores bloqueados.

Segundo uma cliente, o objetivo da manifestação é pressionar para que os investidores sejam ressarcidos, publicou o Gaúcha ZH.

“Nós queremos que haja um acordo entre a empresa e os órgãos. Não queremos ficar na situação que estamos. Têm pessoas doentes, que precisam do dinheiro, e que investiram. A empresa sempre honrou com seus compromissos. Quem não está fazendo isso são as autoridades”, declarou Carolina Oliveira, segundo o jornal.

Ressarcimento a vítimas da Indeal

As autoridades federais têm buscado uma forma para restituir os valores às vítimas do golpe. Contudo, a Justiça Federal sempre declarou que pedidos de indenização e restituição de valores devem ser apresentados em forma de processo pelas vítimas.

Pelo menos 21 ações já correm no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.

Um empresário já obteve decisão favorável por meio de uma liminar que reservou R$ 236.704,00 dos fundos apreendidos da empresa.

Crimes dos sócios Indeal

Desde 2017 a Indeal captava recursos para investimento em criptomoedas e prometia ganhos de até 15%, sendo que no primeiro mês essa porcentagem era declarada como garantida.

O tipo negócio chamou a atenção da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que proibiu a empresa de operar.

Os crimes identificados durante as apurações da Polícia Federal — com apoio da Polícia Civil e Receita Federal do Brasil — foram os seguintes:

Organização criminosa; operação de instituição financeira clandestina; oferta e/ou negociação de valores mobiliários sem autorização; crime contra as relações de consumo; gestão fraudulenta; apropriação indébita financeira; evasão de divisas; falsidade ideológica; lavagem de dinheiro; violação de sigilo funcional.

Vítimas da Indeal

Cerca de R$ 1 bilhão pode ter sido captado pelo grupo investigado. Segundo a PF, alguns sócios apresentaram uma evolução patrimonial descomunal — teve sócio que passou de menos de R$ 100 mil para dezenas de milhões de reais em cerca de um ano.

No entanto, a empresa deixou um rombo de R$ 300 milhões e milhares de pessoas de vários estados brasileiros foram prejudicadas, segundo auditoria da Receita.

“Operação Egypt”, a origem

O Superintendente da PF no RS disse que a “Operação Egypt” foi iniciada partir de um e-mail.

Nele, a pessoa questionava a legalidade dessa companhia que “estava captando recursos para investimentos com criptomoedas, que possuía capital social de R$ 100 milhões e prometia 15% de retorno ao mês”.


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