Blockchain Academy publica nota com críticas à reportagem do Portal do Bitcoin

(Foto: Shutterstock)

A Blockchain Academy, empresa de cursos que fechou um contrato de R$ 171 mil com o governo federal para dar aulas de criptomoedas e blockchain para funcionários do Dataprev, publicou uma nota de repúdio a uma reportagem escrita pelo Portal do Bitcoin, que fala sobre o acordo.

O recado, com diversas críticas à reportagem, foi publicado na página do Facebook da empresa. Em um primeiro momento, Thiago Padovan, confundador Blockchain Academy, não queria que o acordo viesse a público, mesmo com sua publicação no Diário Oficial. Depois que o repórter afirmou que a notícia seria veiculada de qualquer maneira, Padovan concordou em falar.

Na crítica, a empresa elenca os motivos pelos quais tem orgulho do fechamento do contrato. Um dos principais pontos de contestação é sobre a questão da licitação:

“[A] contratação se deu com dispensa da licitação, por inexigibilidade. Isso ocorre quando a instituição contratante confia que não há no mercado concorrentes que possam prover o mesmo serviço e com a mesma qualidade. Isso para nós é um motivo de orgulho. Nós também fomos contratados pelo Banco Central do Brasil com dispensa de licitação, com a mesma lógica, em 2017”.

O mesmo ponto é citado novamente mais abaixo no texto: “No texto, expressa-se erroneamente de que a contratação foi ‘sem licitação’, evidenciando despreparo do jornalista em fazer cobertura de um tema que envolve questões jurídicas básicas”.

A reportagem afirma que contrato dispensou licitação — o que é verdade. O que não constava no momento da publicação é que há casos de treinamento e aperfeiçoamento de pessoal que dispensam tal dispositivo. De acordo com o ministério do Planejamento, para valores abaixo de R$ 176 mil não existe essa necessidade.

A mesma nota faz acusações sobre a competência do repórter: “Também faz uma conta do preço por hora, o que também novamente evidencia despreparo do jornalista, por comparar o custo de um curso aberto com a precificação de um curso fechado”.

A escolha de palavras da reportagem também foi criticada: “E expressa que foi um “gasto do erário”, sendo esta uma insinuação de despropósito, ao invés de ressaltar a especificidade do tema, a qualificação dos instrutores e a relevância dessa capacitação para a sociedade e para o ecossistema em geral”.

Leia abaixo a nota completa Blockchain Academy:

A Blockchain Academy fechou um contrato com a Dataprev, empresa pública de tecnologia vinculada ao Ministério da Fazenda para fazer capacitação de sua equipe de negócios e de tecnologia.

Para nós, isso foi um grande motivo de celebração.

O primeiro foi a confiança depositada em nosso time para capacitação sobre esse tema que é tão inovador e complexo. Para atendê-los, estão envolvidos, diretamente ou indiretamente, mais de 10 pessoas, incluindo desenvolvedores, pessoas de negócios e advogados. Todos com carreira formada e sólida e que vêm se especializando em frentes diferentes no tema cripto/blockchain, podendo agregar no conteúdo de forma muito específica e especializada em níveis bastante avançados.

O segundo é que neste ano de 2018, que foi de bear market, nós, que deixamos projetos e carreiras anteriores para nos dedicarmos 100% à capacitação nesse tema, e que não temos investidores dando colchão à operação, sentimos diretamente o impacto e estamos orgulhosos por gerar trabalho para profissionais desse ecossistema.

O terceiro motivo é que a contratação se deu com dispensa da licitação, por inexigibilidade. Isso ocorre quando a instituição contratante confia que não há no mercado concorrentes que possam prover o mesmo serviço e com a mesma qualidade. Isso para nós é um motivo de orgulho. Nós também fomos contratados pelo Banco Central do Brasil com dispensa de licitação, com a mesma lógica, em 2017.

O último e mais relevante motivo é termos a oportunidade de levar a técnicos que estão diretamente envolvidos com discussões tecnológicas de interesse nacional a sofisticação das discussões sobre origem do dinheiro, cidadão com controle de suas reservas financeiras, privacidade x controle estatal, e todos os mais diversos temas envolvendo esta nova temática, que são de interesse nacional. Confiamos que este esforço, somado ao de formação de tantos outros profissionais de todos os perfis, está sendo a base da formação de pensadores que terão mais elementos para transformar a nossa realidade.

Apesar disso, fomos surpreendidos agora com uma notícia do Portal do Bitcoin, escrito por Claudio Goldberg Rabin, com um tom bastante questionador sobre a contratação.

Logo no título, chama-se atenção ao preço pago, como se fosse um dos pontos mais relevantes. E traz o que faturamos em 2017. Nós adoraríamos que tivessem colocado tudo o que pagamos, e as dezenas (ou já centenas) de palestras, eventos e cursos que já fizemos gratuitamente, bem como que colocassem tudo o que tivemos que pagar do nosso bolso ou que tivemos que sacrificar de reservas pessoais para nos atualizarmos e para o projeto acontecer.

No texto, expressa-se erroneamente de que a contratação foi “sem licitação”, evidenciando despreparo do jornalista em fazer cobertura de um tema que envolve questões jurídicas básicas.

Também faz uma conta do preço por hora, o que também novamente evidencia despreparo do jornalista, por comparar o custo de um curso aberto com a precificação de um curso fechado. E expressa que foi um “gasto do erário”, sendo esta uma insinuação de despropósito, ao invés de ressaltar a especificidade do tema, a qualificação dos instrutores e a relevância dessa capacitação para a sociedade e para o ecossistema em geral.

Isso dito, terminamos este post reafirmando que estamos muito orgulhosos do trabalho do nosso time, agradecidos pela confiança da Dataprev e seguros dos resultados, bem como com a continuidade do projeto, e, por outro lado, repudiamos esse tom insinuador e despreparado, que nos faz gastar energia com explicações enquanto todos poderíamos estar convergindo para um bem maior que é a boa formação das pessoas.

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