Ação Contra Bancos, R$ 200 mil Pagos pela Atlas e Muitas Brigas: Como foi a Última Reunião da ABCB

Marcelo Rozgrin, da Braziliex (E), em debate com Felipe França (D) em reunião da ABCB (Foto: Cláudio Goldberg Rabin)

A primeira reunião para possíveis associados da Associação Brasileira de Criptomoedas e Blockchain (ABCB) começou mal, passou por brigas e discussões agressivas, mas terminou com uma rodinha de conversas na qual a paz parecia selada.  

O encontro, que ocorreu no final da tarde de terça-feira (29), em São Paulo, começou com um pequeno atraso por causa de uma confusão nos horários dos convites enviados. O presidente da ABCB, Fernando Furlan, pediu desculpas pelo problema e começou a conversa com um anúncio que interessa a todos no mercado de criptomoedas.

Associação vai entrar com uma ação contra os bancos no Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, motivada pelo fechamento das contas de exchanges. Furlan, que foi presidente da autarquia, explicou qual seria o caminho: “Temos confiança de que se transforme em inquérito administrativo, que se tornará ação afirmativa com possível punição aos bancos”.

O argumento é que sem os bancos, as empresas de cripto não conseguem sobreviver, e que as instituições bancárias não podem tomar decisões arbitrárias para negar a abertura de contas.

Atlas mantenedora

A primeira ação da ABCB visa, portanto, conquistar as corretoras brasileiras de criptomoedas. A estratégia é essencial, já que a Atlas é a responsável pela criação da associação e sua única mantenedora — cujo investimento é de R$ 200 mil por mês. Caso o leitor não lembre, uma outra associação, criada pelas principais exchanges brasileiras, foi pega de surpresa com o anúncio da criação da ABCB. Em público ninguém falou de rivalidade, nos bastidores a sensação era de que a Atlas havia atropelado a todos.

Rodrigo Marques, o CEO da empresa, estava presente também. Das exchanges, a representante da Chinesa Coinbene estava presente desde o início. Os responsáveis pela Bitselect também estavam presentes.

Diplomata Courtnay e a ira da Braziliex

Outro anúncio foi que Courtnay Guimarães, da Ideia Partners, havia se associado e assumido como presidente do comitê de novas tecnologias. Também presente, como se verá, ele teve um papel diplomático quando os ânimos começaram a se exaltar.

A temperatura do ambiente começou a crescer com a chegada de Marcelo Rozgrin, sócio da Braziliex. Com uma postura desafiadora e com o rosto quase vermelho, Rozgrin tomou o microfone no momento da abertura a perguntas e tascou:

“Não nos chamaram para a associação. E não vejo ninguém dos grandes players das exchanges nela. Passa uma sensação esquisita. A Atlas, com todo respeito, é uma caixa-preta. Pode ser até pirâmide, sinto muito. Como fica a minha imagem caso caia no futuro? As exchanges têm receio de entrar em um lugar onde pode haver piramideiro. Eu descobri que a associação tinha sido criada pelo jornal Folha de São Paulo. Por que nós não fomos chamados?”

Quem teve o complicado trabalho de responder à pergunta foi o vice da ABCB, Felipe França. França foi evasivo: começou a contar como ele foi fazer parte da entidade. Rozgrin repetiu a mesma pergunta, que novamente não foi respondida. A tática de França era falar do futuro uma vez que, segundo ele, não existia diferença entre associado fundador e não fundador. “Não faz diferença o momento da entrada”, afirmou. Rozgrin, com um meio sorriso no rosto ainda vermelho, claramente não estava satisfeito.

Em seguida, quem tomou a palavra foi Marques, do Atlas. O tom de voz era amigável em direção ao sócio da Braziliex: “Queria fazer um convite para você conhecer o Atlas e conversar com nossa equipe de desenvolvimento de algoritmo. Não vejo as exchanges como concorrentes, mas como fornecedoras, embora a gente não faça arbitragem no Brasil”.

Cerca de 10 minutos de discussões depois, França finalmente explicou o motivo da falta de convite. Pragmatismo puro: “Primeira coisa para fazer uma instituição é definir valor institucional e objetivos. Se juntar todo mundo para definir tudo, a coisa trava”.

Courtnay complementou a fala com sua informalidade diplomática: “Tem um motivo pelo qual esse troço não foi feito de forma democrática. Tem que colocar alguém para falar com deputado em Brasília. E quem vai pagar a conta? Agora tem alguém pagando, inclusive para a gente vir aqui reclamar. Nós estamos comendo caviar e reclamando que está frio.”

“Se a gente não se juntar agora, a Febraban está junta”, complementou França.

Em direção à paz?

O rosto do sócio da Braziliex começou a mudar e sua pergunta seguinte foi na direção da conciliação.“Queria saber se vocês já têm mapeado o que é um cenário ideal de regulação. Pelo que brigaremos?”.

A resposta ficou a cargo de Furlan, que disse que os estudos estavam sendo preparados. Comentou também sobre o mapa de agentes políticos de Brasília, entre deputados e comissões, que era preciso alcançar. O ambiente da reunião também passou a ser mais amigável — as disputas deram lugar ao entendimento dos planos de ação. A tática orquestrada pela ABCB parecia estar funcionando.

O número de associados aumentou para cinco: o próprio Courtnay como pessoa física e a Bitselect e a Bytinvest (junto com Atlas e Thera Bank).

Fechado o computador que registrava a ata da reunião, uma roda de conversa entre todos os participantes se formou ao fundo da sala de reuniões. Rozgrin foi cumprimentar Marques e pedir desculpas caso tivesse sido muito agressivo.

Eu disse ao sócio da Braziliex que ele parecia ter mudado de opinião sobre a ABCB. Ele ensaiou um sorriso, mas desconversou. Cercado por sua assessora de imprensa, disse apenas que conversaria com os demais sócios do corretora para tomar uma decisão. E sorriu.

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