Além de impulsionar a criptomoeda nacional Petro, Venezuela também quer repatriar R$ 2 bilhões em ouro

Somente neste ano o país vendeu cerca de 26 toneladas de ouro (Foto: Shutterstock)

O governo da Venezuela, que pretende vender seu petróleo no exterior por meio da criptomoeda nacional Petro, iniciou uma nova jornada para dar continuidade em seu ‘Programa de recuperação, crescimento econômico e prosperidade’, anunciado em setembro por Nicolás Maduro.

De acordo com a Reuters, em publicação na quinta-feira (06), autoridades do governo venezuelano teriam viajado para Londres para negociações com o Banco da Inglaterra a fim de repatriar mais de US$ 500 milhões em ouro para Caracas (cerca de R$ 2 bilhões).

Citando fontes anônimas, a reportagem diz que eles planejam discutir a questão com autoridades do Banco da Inglaterra nesta sexta-feira (07).

Viajaram para a capital inglesa o ministro das Finanças, Simon Zerpa, que está sob sanção dos Estados Unidos por suspeita de corrupção, e o presidente do Banco Central, Calixto Ortega.

A agência diz que Maduro está tentando trazer cerca de 14 toneladas de ouro de volta para a Venezuela por temer que possa ser pego em sanções internacionais.

A agenda atraiu críticas de políticos britânicos. Segundo a reportagem, o deputado conservador Andrew Lewer supostamente escreveu para o presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney e para o Chanceler do Tesouro Philip Hammond, repudiando qualquer contato com autoridades venezuelanas.

Ele disse que se tal encontro acontecesse, representaria um risco de reputação significativo para o Banco e poderia violar as sanções impostas pelo Tesouro dos EUA.

“É totalmente inadequado que altos funcionários do Banco da Inglaterra se encontrem com um indivíduo que tenha sido colocado na lista de sanções dos EUA por razões de corrupção”, diz a carta.

Nos últimos anos, a Venezuela tem sido uma grande vendedora de ouro. Somente neste ano o país vendeu cerca de 26 toneladas, com valor próximo a US$ 900 milhões, para a Turquia, segundo a agência.

Há quatro anos o país sul-americano detinha 400 toneladas de ouro, hoje cerca de 175, segundo dados do banco central venezuelano.

Aumento da Petro e do Salário mínimo

No final do mês passado, o ditador Nicolás Maduro comunicou o aumento no preço da Petro, a criptomoeda venezuelana apoiada pelo estado, em 150%, mesmo percentual aplicado, também, no salário mínimo da Venezuela

O anúncio foi feito justamente quando seu Plano de Recuperação completava 100 dias de existência.

Por pura ordem do ditador, a Petro subiu de 3600 para 9.000 bolívares soberanos, preço a ser considerado a partir de 01 de dezembro de 2018.

Maduro havia vinculado o preço da Petro ao bolívar soberano, a moeda principal da Venezuela, desde 20 de agosto deste ano. Ele elevou a Petro, então, ao status de moeda oficial do país e o segundo meio oficial de pagamento.

O salário mínimo nacional e as pensões foram corrigidos para 4.500 Bs.S (‘Bs.S’ é a sigla para o plural do bolívar soberano).

O mês de novembro também contou com mais uma ação do governo venezuelano, que anunciou que iria apresentar a Petro à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) como uma unidade de conta para o petróleo.

Na ocasião, Manuel Quevedo, presidente da estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA), afirmou que as transações da Petro teria início no primeiro semestre de 2019 e destacou:

“Vamos usar a Petro na OPEP como uma moeda forte e confiável para comercializar o nosso petróleo bruto no mundo quando recebermos o certificado”.

Nesta semana, o Maduro se encontra na Rússia onde tem discutido com o presidente Vladimir Putin uma agenda sobre acordos de defesa, finanças, petróleo, e comércio.


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