3xbit não paga clientes de esquema de aluguel de bitcoins com retorno garantido

3xbit dá calote em clientes em esquema de aluguel de bitcoins com retorno garantido
CEO da empresa, Saint Clair Izidoro (Foto: Reprodução/Facebook)

*Colaborou Cláudio Goldberg Rabin

Desde setembro, a corretora de criptomoedas 3xBit não está pagando os clientes que haviam contratado com a empresa uma espécie de sistema de aluguel de bitcoins — que previa um rendimento definido em contrato de até 10% sobre o valor custodiado.

Os responsáveis pela empresa, Saint Clair de Izidoro e Octavio de Paula Santos, vêm postergando a data dos pagamentos e não dão nenhum tipo de explicação sobre por que pararam com os depósitos. Pela carteira que consta no contrato do chamado leasing, passaram pelo sistema 1.193 bitcoins, o que ultrapassa R$ 40 Milhões.

Conforme o contrato de leasing da 3xBit, cujos dados ostentam o nome de Saint Clair, os locadores deveriam depositar seus bitcoins na carteira 1Ng9kdMPdLsfwKNHBcAq5hqCtUKm6DMLrt, atualmente zerada. Ao final de 12 meses, a corretora se comprometia a devolver os ativos. 

A carteira foi criada em julho de 2017, mesma data em que foi criado o “produto” de aluguel. A 3xBit mantinha o modelo de contrato às escondidas. Foi criado um site próprio para o leasing, mas nada era anunciado no site da corretora.

Saint Clair, o CEO da empresa, chegou a negar que o produto existisse em um grupo de WhatsApp que reúne empresário do mercado de criptomoedas. Uma publicação da versão inicial do contrato foi publicado no site Webitcoin e, mais tarde, retirado do ar.

“A gente postou com o ok deles. Depois pediram para a gente tirar”, disse André Cardoso, o criador do site.

3xBit e o esquema do “leasing”

De acordo com um cliente que está tentando reaver seus bitcoins em posse da empresa, os contratos eram feitos para algumas pessoas indicadas. Havia inclusive a figura dos licenciados, responsáveis por captar investidores em troca de uma porcentagem sobre os novos contratos.

Quanto mais pessoas o licenciado captasse, maior seria seu ganho. O cliente, que pediu para não ser identificado, contou que os ganhos dos licenciados variavam chegando até á 10%. Além disso, ganhavam um tipo de comissão sobre cada novo contrato feito por indicação deles.

Em contrapartida, além de captar clientes, o licenciado “precisaria ter um domínio de site para linkar na página de leasing 3xBit”. Os contratos de locação, no entanto, eram feitos diretamente com a corretora. Da mesma forma, os saques eram todos por lá.

Conforme esse investidor, desde setembro o pagamento não é feito. “Eles lançaram um termo e fizeram cancelamento um mês depois que solicitei o saque”, disse.

A 3xBit havia dado prazo para até 3 de outubro para efetuar esses saques, mas agora a data foi modificada para meados de novembro.

Outras duas pessoas conversaram com o Portal do Bitcoin e relataram o mesmo problema. No Reclame Aqui, já são diversas denúncias com relatos parecidos — todos com críticas por a empresa não pagar nem devolver os bitcoins.

Contratos encerrados

Em 30 setembro, a corretora comunicou por meio de e-mail que encerraria esses contratos.

No mesmo e-mail, a 3xBit  mudou o prazo para a devolução dos Bitcoins para aqueles detinham entre 2.00000001 e 5 bitcoins para dia 22 de novembro, mas que os rendimentos estariam ativos até o último dia de outubro deste ano. O prazo para quem tinha valores inferiores já venceu e mesmo assim os investidores não foram pagos.

A empresa ainda informou que aquele que não enviasse a documentação exigida para estabelecer o KYC até o dia 22 de novembro estaria sujeito a receber apenas depois de 30 dias úteis.

A má situação da 3xBit 

Esse não é o primeiro problema envolvendo a 3xBit. Há mais de um mês a empresa está com problemas para pagar os clientes que haviam aportado criptomoedas em sua plataforma. Diferentemente da situação do leasing, o problema parece que está sendo resolvido aos poucos. Alguns clientes afirmaram que a empresa parcelou os saques pelo sistema da Urpay.

Depois de muito tempo em silêncio nas redes sociais, o fundador da empresa postou um vídeo afirmando que tem “trabalhado para resolver a situação”e que irá vender parte da empresa para ajudar a solucionar o problema dos débitos.

Ele pediu desculpas aos investidores e explicou que sua ausência nas redes sociais seria para focar na solução dos problemas:

“A gente decidiu a descontinuidade do produto do leasing e trazer um sócio investidor para auxiliar na solução desses problemas”.

No mesmo vídeo nega que tenha usado o dinheiro de investidores em outros projetos como a Eletropay, que segundo ele veio trazer notoriedade em todo país sobre o trabalho feito com blockchain e criptomoedas.

Atualmente, o volume diário negociado na exchange é pífio.

Resposta da empresa

Segundo a empresa, o leasing foi um produto experimental divulgado apenas para convidados.

A plataforma ainda afirmou que a carteira 1Ng9kdMPdLsfwKNHBcAq5hqCtUKm6DMLrt não era de uso exclusivo para o projeto de leasing e que “por alguns momentos utilizamos como uma segunda wallet de segurança da corretora”.

A 3xBit disse que todos os locadores vinham recebendo “seus aluguéis em dia até o mês de agosto” e que todas as transações eram feitas em Bitcoins, mas não explicou o que causou a falta de pagamento.

Em contrapartida, a empresa afirmou que “várias pessoas receberam em totalidade o aporte inicial feito ao longo desse período, algumas até mais do que foi aportado em um cálculo cumulativo, ficando apenas o residual chamado aluguel ativo que no modelo de negócio, nos comprometemos a devolver e foi um dos erros durante o processo já que ia bem além do que foi aportado”.

Medida antecipada

A 3xBit explicou que teria encerrado esses contratos para não ter problemas com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e que seria uma medida antecipatória.  

“Em relação à CVM, a 3xBit considerou fortuito, ou seja, como não tem uma Lei ainda, a empresa optou por se resguardar e não esperar uma possível ação do Órgão, evitando problemas maiores como ocorreram com outras corretoras”.

A 3xBit confirmou que criou um cronograma mas que está atrasado com os seus clientes:

“Criamos um cronograma de depósitos para seguir da melhor forma, porém, estamos atrasados, o intervalo era entre 14 e 18 de Out. Como informado, estamos com soluções em andamento e queremos ter tudo em dia com todos os clientes o quanto antes. Não estamos poupando esforços para isso, como anunciado ontem (21/10/2019), dentre as soluções, está a entrada de um novo sócio investidor.”

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